O que realmente funciona para passar na OAB
Eu preparei para a prova da OAB em 2023, e a primeira coisa que descobri foi que o material oficial da FGV não prepara pra prova dela mesma. As bancas antigas cobravam lei seca pura. A FGV mudou o jogo. Agora você precisa entender o raciocínio, não decorar artigo de lei. Isso mudou completamente a forma como eu estudei, e a maioria dos cursinhos ainda não se adaptou. O problema é que muitos alunos entram achando que qualquer curso preparatório resolve. Eu cometi esse erro. Comecei com um cursinho online genérico que prometia 3 meses de preparação. Passei 12 horas por semana assistindo aulas gravadas. Reouve. Não porque não soubesse a matéria, mas porque não sabia o estilo da FGV. A banca adora questões interdisciplinares, onde você precisa conectar Direito do Consumidor com Código Civil ao mesmo tempo. Meu diagnóstico depois da reprovação foi simples: eu estudava por disciplina isolada. A prova não funciona assim.
Qual melhor curso para oab na prática
Eu testei três opções antes de encontrar algo que funcionasse. O primeiro foi o Estratégia, que tem boa reputação no mercado. O conteúdo está correto, mas o foco é muito voltado para concursos tradicionais, não especificamente para a OAB. Você gasta tempo aprendendo detalhes que a banca nunca cobra. Eu passei 40 horas nos primeiros dois meses e não senti diferença real no desempenho nos simulados. O segundo foi o Curso GT, que é mais focado na OAB. Aqui a coisa muda. Eles têm questões comentadas da FGV dos últimos cinco anos, e isso faz diferença porque você começa a identificar padrões. A FGV repete estruturas de questão. Sempre tem uma questão de ética profissional com casos práticos, uma de processo civil envolvendo recursos, e uma de legislação especial que parece fácil mas tem pegadinha. Eu levava cada simulado deles e levava quatro horas pra completar, como se fosse a prova real. Isso me deu o ritmo que eu precisava.
O terceiro, e o que funcionou pra mim, foi uma combinação. Eu usei o Curso GT como base principal, mais aulas específicas de escrita constitucional no professor Carlos Bottentourt, que é referência. A parte de redação do exame de suficiência é onde muita gente perde pontos sem perceber. Eu reprovei justamente nessa parte. A banca exige que você identifique o tema, apresente tese clara, desenvolva argumentos com base constitucional e apresente proposta de intervenção detalhada. Meu erro era escrever de forma genérica. Eu corrigi isso fazendo exercícios semanais com correção individual do professor, o que me ajudou a entender exatamente onde eu errava.
Como estruturar os três meses que antecedem a prova
Eu dividi meu preparo em três fases. Nas oito primeiras semanas, foquei em teoria pesada. Não adianta fazer cem questões por dia sem base teórica. A FGV cobra conhecimento profundo, não gambiarra. Eu dedicava três horas pela manhã e duas à noite, totalizando cinco horas diárias. Sexta-feira era dia de simulado completo, como prova real, com cronômetro e sem consulta. Isso me acostumou com o tempo limitado. Nas quatro semanas seguintes, aumentei a quantidade de questões. Comecei a fazer duas bancas por dia, alternando entre FGV e Ibanpe, que também aplica a OAB em alguns estados. A diferença entre elas é importante. A Ibanpe tende a cobrar mais lei seca, enquanto a FGV é mais case-based. Eu fazia cronologia de questões, anotando quais temas caíram com mais frequência. Direito Tributário e Processo Civil eram os que mais apareciam. Direito Empresarial e Previdenciário eram os que menos cobravam, então eu reduzi o tempo neles pela metade.
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Na última semana, foquei em revisão e ética profissional. A ética é a parte mais tranquila da prova, mas também a que mais gera dúvida. Eu refazia todas as questões de ética que tinha errado durante o preparo, identificando os padrões de resposta. A FGV gosta de situações onde o advogado tem dilema entre sigilo profissional e dever para com o cliente. Sempre tem uma questão sobre o Código de Ética que parece simples mas envolve interpretação fina.
Erros comuns que eu vi acontecerem
A maioria dos alunos que eu conheci errava na mesma coisa: subestimar a prova discursiva. Eles passam na fase objetiva com facilidade, achando que estão prontos. Mas na hora de escrever, não sabem a estrutura exigida. Eu vi colegas que sabiam todo o conteúdo mas não conseguiam terminar a prova no tempo. A FGV dá três horas para a discursiva, que tem duas questões de trinta pontos cada mais uma de dez pontos. Cada questão exige um desenvolvimento específico, e quem não treina a escrita perde pontos por formatação, não por conteúdo. Outro erro comum é usar material desatualizado. O Código de Processo Civil mudou em 2023, e a FGV se adapta rapidamente. Eu vi alunos usando material de 2020 e errando questões sobre prazos processuais que simplesmente deixaram de existir. Sempre verifique a data de atualização do cursinho antes de investir dinheiro. O mercado está cheio de cursos com conteúdo obsoleto.
Sobre custo-benefício dos cursinhos
Eu considerei preços quando escolhi. O Curso GT custa cerca de R$ 800 para o plano completo, que inclui acesso a todas as matérias e simulados ilimitados. O Estratégia cobra algo em torno de R$ 600, mas com foco menos específico. Existem opções mais baratas, como o Jurídico Contestado, que oferece plano básico por R$ 300, mas a qualidade do material é inferior. Eu recomendo gastar mais em um curso bom do que menos em vários ruins. O tempo é seu recurso mais escasso nessa preparação. Não existe curso perfeito. Cada um tem limitações. O Curso GT tem menos aulas gravadas de Direito do Consumidor do que eu gostaria. O Estratégia tem excesso de conteúdo para concursos federais que não cai na OAB. O importante é identificar onde estão suas lacunas e preencher com material complementar gratuito, como a própria plataforma da FGV que disponibiliza provas anteriores comentadas. Eu usei isso por duas horas por semana para corrigir falhas que o cursinho não cobria adequadamente.
A decisão final sobre qual melhor curso para oab depende do seu estilo de aprendizado, do seu tempo disponível e do seu orçamento. O que eu posso afirmar com segurança é que qualquer curso que não ofereça simulados realistas baseados na FGV provavelmente não vai te preparar adequadamente. A prova é específica demais para ser dominada apenas com teoria genérica.