Base Para Caixa D'água De Tijolo - #como fazer base de caixa d'água redonda com tijolo bahiano toque para ...
#como fazer base de caixa d'água redonda com tijolo bahiano toque para ...

Construindo a base certinha

Vou direto ao que importa. A base para caixa d'água de tijolo é, no fundo, uma estrutura de alvenaria que sustenta o peso total do reservatório quando está cheio. Um tanque de 500 litros pesa meio quilo por litro. Preenche totalmente e você tem meia tonelada empinada no alto. O resto é engenharia simples, mas feita errado vira desastre. A base mais comum que eu vejo sendo erguida — e eu diria a mais sensata para casas e prédios baixos — é uma estrutura de alvenaria com quatro pilares nos cantos, amarrados por vigas de cinta. Tijolo maciço ou cerâmico, cimento, cal e areia. Nada de tijolo furado apoiando carga direta. Eu já vi gente colocar tijolo baiana em pilar de carga e o trincado apareceu em menos de dois anos. Só não vale.

Medidas e dimensionamento da base para caixa d'água de tijolo

O padrão que eu uso como referência é o seguinte. Pilar de 14x14 centímetros, mínimo. Se o tanque for maior que 1.000 litros, sobe para 19x19. A viga de cinta fica na coroa dos pilares, com seção de pelo menos 14x20 centímetros, armadura com quatro barras de 5mm e estribos de 4,2mm a cada 15 centímetros. O concreto é um cifrão 20 MPa mesmo, nada de misturar com a mão sem medir. O topo da estrutura precisa ser plano e nivelado. Um desnível de meio centímetro entre um suporte e outro já deixa a caixa d'água torto e a prensa do plástico ou do aço sofrendo deformação permanente. Eu gastei três horas refazendo a coroa de uma base em Guarulhos porque o pedreiro deixou o níveis errado e eu só percebi quando enchi o tanque e vi a tampa rangendo. A correção foi quebra-quebra, novo assentamento e nova cura. Me custou R$ 800 em desperdício e dia extra de obra.

Altura ideal do pé-direito da estrutura: entre 1,5 metro e 2 metros do nível do chão até o fundo da caixa. Isso dá pressão boa pra rede hidráulica sem exigir tubulações reforçadas. Acima de 2,5 metros o gasto com material e a instabilidade do vento começam a não valer mais a pena. Sobe mais que isso, parte pra coluna de concreto armado mesmo.

Passo a passo prático

Primeiro, você acha o local. Preferencialmente no ponto mais alto da edificação, preferencialmente junto a uma parede estrutural ou próxima a ela, porque a viga de cinta precisa de amarração. Base isolada no meio do telhado ou da laje fica balançando com vento forte. Já vi estrutura de tijolo tombando inteira num temporal em São Paulo porque o engenheiro não considerou ação lateral. Demarca os quatro pontos dos pilares com corda e pregos. Verifica a diagonal. As duas diagonais do retângulo têm que ser iguais. Se diferirem mais que um centímetro, a base tá torta e a caixa vai ficar inclinada. Ajeita antes de cavar.

Escava assapatas. Mínimo 40x40x40 centímetros por pilar, dependendo do solo. Se for terra mole, sobe pra 50x50x50. Coloca uma camada de pedra britada de 1 para fazer drenagem e assentamento da forma. O concreto de magrez entra depois, com volume suficiente pra cobrir a armadura dos pilares. Usa ferraço de no mínimo 2 barras de 5mm por pilar, ligadas à viga de cinta com cerco. Ergue os pilares de tijolo. Aqui é onde a maioria erra. Tijolo tem que estar mergulhado em água antes de assentar. Seco, ele sugar a água da argamassa e a pega piora. Argamassa de assentamento na proporção 1:4 — uma parte de cimento pra quatro de areia — funciona bem. Já a argamassa de preenchimento entre pilares pode ser 1:6 com traço mais aberto. Preenche, verifica o prumo em todas as direções a cada três fiadas. Correção depois que endureceu é caro.

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A viga de cinta vem no final. Forma de madeira, ferragem montada em gaiola, concretagem de uma vez só pra evitar junta fria. Se não der pra lançar tudo de uma vez, faz uma chapa de aço galvanizado como descontinuidade planejada. Não pula essa etapa achando que vai dar certo fazer duas vezes. Junta fria em viga de cinta é trinca na estrutura. No topo da cinta, assenta-se uma chapa de apoio. Pode ser uma peça de concreto pré-moldado de 20x40 centímetros, ou uma tábua de madeira tratada de 3 centímetros de espessura, ou ainda uma placa de fibra de cimento. O importante é distribuir o peso e permitir ventilação por baixo. Caixa d'água apoiada diretamente em tijolo sem intermediário vai criar pontos de compressão diferencial e trincar o fundo do reservatório com o tempo.

Detalhes que ninguém conta

Drenagem. O espaço entre o chão e a estrutura precisa receber água quando chove ou quando vaza o ralo de limpeza. Eu recomendo um rodapé telado ou grelha plástica em pelo menos dois lados da base. Se a água ficar parada embaixo, o tijolo absorve umidade e a estrutura degrada. Em clima seco isso não aparece tão rápido, mas em região litorânea ou tropicais úmidos, dois anos e a alvenaria tá manchada e esfarelando. Ventilação sob a caixa também é importante. Ar circulando evita condensação e bolor embaixo do reservatório, especialmente se a estrutura for de madeira. Eu já vi gente instalar a caixa colada no chão da laje achando que era prática. Não é. O peso fica todo concentrado num ponto e a laje paga o preço.

Fixação da caixa. Usa-se cintas de aço galvanizado ou correias de nylon com tensionador. Cintas de aço são mais duráveis mas precisam de vedação onde encostam no plástico pra não marcar. Nylon é mais fácil de instalar mas precisa ser substituído a cada dois ou três anos. Ambos funcionam se instalados nos pontos de reforço da caixa — olhe as nervuras do fundo do tanque, é ali que as correntes têm que pressionar. Um erro comum que eu vejo todo dia: colocar a caixa d'água em cima da base e não esperar a cura completa da argamassa. A estrutura leva cerca de 28 dias pra atingir resistência plena. Você pode colocar peso leve após 7 dias, mas o tanque cheio só depois de duas semanas no mínimo. Meu conselho é esperar o mês inteiro antes de encher. O pedreiro vai reclamar que ficou ocioso. Deixa reclamar.

Acabamento. Se a base ficar aparente — o que é comum em térrealos e coberturas — passa uma camada de argamassa de revestimento 1:6 nos pilares e nas frestas entre tijolos. Isso melhora a estética e protege contra chuva direta. Se não for aparente, pode deixar só o assentamento mesmo. A diferença de custo é pequena, mas a diferença de durabilidade é grande.

Quando não usar base de tijolo

Existem situações em que a base de tijolo não é a escolha certa. Lajes com carga específica baixa, terreno muito instável, caixas acima de 2.000 litros, e estruturas metálicas existentes que já suportam o peso. Nesses casos, colunas de concreto armado ou perfis de aço com base de distribuição são mais indicados. Às vezes um simples suporte metálico prancha de aço com pés de apoio sobre laje é mais econômico que levantar alvenaria do zero. O cálculo estrutural real depende da região sísmica, do tipo de solo, da altura da edificação e do modelo da caixa. Para residências de até dois andares, as medidas que eu passei funcionam na maioria dos casos. Para algo maior, contrate um engenheiro. O custo do projeto é fração do prejuízo de uma base que racha depois de dois anos.

Listei o essencial. O restante é questão de paciência e respeito ao material. Base para caixa d'água de tijolo bem feita dura décadas. Mal feita, ela vira um problema que ninguém quer resolver.