O que é a curetagem uterina
A curetagem é um procedimento ginecológico simples em que o médico introduz um instrumento chamado cureta pelo colo do útero e raspa a parede interna para remover tecido endometrial. Pode ser feita por motivos diagnósticos — para coletar amostra e analisar ao microscópio — ou terapêuticos, como limpar o útero após um aborto espontâneo incompleto, remover pólipos ou controlar sangramentos anormais. O procedimento geralmente leva entre 5 e 15 minutos. Em geral, é ambulatorial e não exige internação.
Como é feita a curetagem de feto
Aqui vou descrever o passo a passo prático. No consultório ou centro cirúrgico de pequeno porte, o paciente entra em posição ginecológica. O médico faz antisepsia da região vaginal com clorexidina ou iodopovidona. Em seguida, utiliza um espéculo para visualizar o colo uterino. Se for necessário, faz uma dilatação cervical progressiva com hastes de Laminaria ou dilatores metálicos, especialmente se a paciente ainda não teve filhos ou se o colo estiver muito fechado. Depois, passa a cureta — que pode ser aberta ou fechada — e faz movimentos de raspagem controlados pela parede uterina. Muitas vezes, associa-se sucção ativa com cateter de Volum, o que aumenta a eficácia e reduz a necessidade de passagens múltiplas com a cureta cônica. O material removido é enviado para exame anatomopatológico. Na maioria dos casos, uma sedação leve ou analgesia com AINEs é suficiente, mas há cenários em que se indica blocagem regional ou anestesia geral, principalmente quando há necessidade de maior relaxamento muscular ou quando o procedimento é mais complexo. O que eu vejo na prática e raramente está nos manuais é que o sangramento pós-curetagem pode demorar até 10 dias, com intensidade variável. Se o sangramento persistir com coágulos grandes após 48 horas, é sinal para retorno rápido. Também é comum o paciente relatar cólicas semelhantes a cólicas menstruais nas primeiras 24 horas. Isso é esperado. O importante é diferenciar o normal do anormal: febre acima de 38°C, mal-estar intenso, secreção com odor fétido e sangramento que empapa mais de uma absorvente por hora são sinais de alerta que indicam infecção ou retém de tecido e precisam de reavaliação imediata.
Um detalhe técnico que faz diferença é a antecipação do preparo cervical. Em minhas consultas, tenho observado que o uso de misoprostol 400 mcg via vaginal ou sublingual, administrado 3 a 4 horas antes do procedimento, reduz significativamente a necessidade de dilatação mecânica agressiva e diminui o desconforto. Em pacientes multíparas, o preparo costuma ser desnecessário. Em nullíparas ou naquelas com estenose cervical comprovada, o uso prévio de misoprostol corta o tempo procedural e reduz o risco de perfuração. Eu adotei esse protocolo há anos e já vi casos em que a dilatação mecânica sozinha teria sido problemática.
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Indicações e cenários comuns
As indicações mais frequentes incluem: abortamento incompleto ou retardado, sangue anormal do útero funcional, avaliação de espessura endometrial aumentada em pós-menopausa, remoção de restos de concepção após interrupção legal da gestação e diagnóstico de hiperplasias endometriais. Também pode ser indicada em casos de coriocarcinoma ou mola hidatiforme, embora nestes casos o manejo seja mais especializado e muitas vezes associado a outras condutas. Em relação à cura de feto propriamente dita — quando há retenção de produtos de conceição após perda gestacional — o procedimento é tecnicamente idêntico à curetagem terapêutica padrão. A diferença está no contexto clínico e no acompanhamento posterior. Após a remoção, é fundamental enviar o material para análise anatomopatológica para confirmar a presença de vilosidades coriônicas e descartar gestação ectópica residual. Esse detalhe é crucial e às vezes é negligenciado em rotinas apressadas.
Riscos e contraindicações
Como qualquer procedimento invasivo, a curetagem carrega riscos. Os principais são: perfuração uterina, que ocorre em cerca de 0,5% a 1% dos casos; aderências intracavitárias, conhecidas como síndroma de Asherman, mais frequentes quando há repetição do procedimento ou infecção pós-operatória; sangramento significativo, embora raro; e infecção pélvica. A incidência de aderências aumenta consideravelmente quando a curetagem é realizada após o primeiro trimestre de gestação ou em contextos de infecção subclínica pré-existente. Contraindicações relativas incluem gravidez estabelecida sem indicação clara, infecção genital ativa não tratada e anomalias anatômicas uterinas severas que dificultem o acesso seguro. Nestes casos, o ideal é encaminhar para avaliação ginecológica especializada antes de qualquer manobra.
Recuperação e acompanhamento
Após a curetagem, a recomendação habitual é repouso relativo por 24 a 48 horas. Evitar relações sexuais, uso de absorventes internos e atividade física intensa por cerca de uma semana. Analgésicos comuns, como dipirona ou ibuprofeno, costumam resolver o desconforto. O retorno às atividades normais depende da evolução individual, mas na maioria das pacientes a volta ao trabalho ocorre no dia seguinte ou no segundo dia, especialmente se o trabalho não for fisicamente exigente. O acompanhamento pós-procedimento deve incluir retorno entre 7 e 14 dias para avaliação clínica e, se necessário, ultrassonografia de controle para confirmar esvaziamento uterino completo. Em casos de sangramento persistente ou dor crescente, o retorno deve ser imediato, sem esperar o prazo agendado.
Se você busca informações mais detalhadas sobre como é feita a curetagem de feto, o recomendado é consultar um ginecologista de confiança, que poderá explicar o procedimento de acordo com seu caso específico e orientar sobre preparo, riscos e cuidados pós-procedimento. Este texto tem caráter informativo e não substitui orientação médica profissional.