Tipos De Chas Verdes - Conheça 50 Tipos de Chás Japoneses | Suki Desu
Conheça 50 Tipos de Chás Japoneses | Suki Desu

Chás verdes existem em várias variações e a maioria das pessoas compra a coisa errada

Se você já comprou um chá verde e sentiu que sabia a tudo o que deveria saber, provavelmente pegou uma categoria errada. O mercado divide os tipos de chas verdes principalmente pelo grau de oxidação e pelo método de processamento, mas a realidade é mais confusa do que qualquer classificação de loja.

Tipos de chas verdes mais comuns no Brasil

O sencha é o padrão japonês. Folhas inteiras, processadas a vapor, sabor vegetal claro. Você encontra isso em qualquer casa de produtos naturais de médio porte. O gyokuro é o topo de linha japonês — as plantas ficam sombreadas por três semanas antes da colheita, o que aumenta a cafeína e o aminoácido L-teanina. O resultado é um chá com corpo mais grosso, praticamente sem amargor se feito na temperatura certa. Tem gente que não aguenta o preço, mas quem consegue pagar percebe a diferença na terceira xícara. O matcha é pó. Folhas tenras moídas em moinho de pedra. Não se infunde e coa, se mistura em água. A maioria dos matchas que vejo sendo vendidos nas prateleiras é de qualidade média ou baixa — aquele pó verde brilhante demais que ninguém sabe se é corante ou processo real. Chá verde japonês verdadeiramente bom não é fluorescente. É verde-oliva opaco.

Ainda temos o dragon well, ouLongjing chinês. Processado a seco, em panela, com técnica de flameamento manual. Sabor mais tostado, quase de castanha. Os chineses classificam por região e colheita, não por tipo de processamento como os japoneses. Isso gera confusão na hora de comprar porque o rótulo muitas vezes não diz nada útil. O genmaicha é sencha misturado com arroz tostado. Parece uma gafe, funciona muito bem. O arroz suaviza o chá e reduz a perceção de amargor. É uma saída prática para quem está começando.

O bancha e o houjicha são versões mais acessíveis. Bancha usa folhas mais maduras colhidas na segunda ou terceira colheita. Houjicha passa por torrção em alta temperatura, o que altera completamente o perfil de sabor. Parece erva-chá, tem menos cafeína. Muito gente troca houjicha por sencha sem perceber a diferença até sentir na pele. Eu tenho um problema específico que encontrei quando comecei a comprar essas coisas com regularidade. A temperatura da água. Todo mundo fala que chá verde não pode ferver, mas a maioria das pessoas aplica isso de forma errada. Eu já estraguei três folhas de gyokuro de uma vez porque a água estava a 80°C em vez de 60°C. Gyokuro precisa de água entre 50°C e 60°C, no máximo. Se passar disso, os aminoácidos entram em colapso e o chá fica adocicado de forma artificial, seguida de um amargor que não desaparece nem com a segunda infusão. A solução foi um termômetro de cozinha barato e uma chaleira com controle de temperatura. Custou cerca de cem reais e economizou muito dinheiro em folhas desperdiçadas.

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O que ninguém te conta sobre preparar esses chás

O tempo de infusão é mais importante do que a temperatura na maioria dos casos. Eu já vi gente deixando sencha dezoito minutos na água. Claro que vai ficar horrível. O correto é trinta segundos a um minuto, dependendo da quantidade de folha. Uma colher de chá para doiscientos mililitros é o ponto de partida. Se quiser mais forte, aumente a folha, não o tempo. A qualidade da água também importa mais do que as pessoas gostam de admitir. Água da torneira filtrada funciona, mas água com muito cloro ou muito mineral destrói o sabor do chá verde rapidamente. Eu testo sempre com água de filtro de carvão ativado. O resultado é mais limpo e consistente, principalmente com os chás japoneses mais delicados.

Um problema que eu enfrento frequentemente é a diferença entre chá verde saquinho e chá solto. Saquinho é, na grande maioria das vezes, pó de folha triturada. O contato com a água é enorme e a extração é brutal. Você não tem controle nenhum. Eu já comparei o mesmo teor de cafeína em saquinho versus folha solta e a variação era de quase trinta por cento. Não é uma diferença pequena. A armazenagem também é um ponto fraco. Chá verde absorve umidade e cheiros com facilidade. Deixar dentro do armário da cozinha, perto do café e da spiceiras, é um erro comum. Eu guardo os meus em latinhas seladas dentro de um compartimento fechado do armário, longe do fogão. O resultado é que as folhas duram cerca de seis meses com sabor estável, em vez de três meses.

Tem uma coisa contra-intuitiva que pouca gente considera: o chá verde pode ser reinfundido varias vezes. Sencha bom rende três a quatro infusões, gyokuro até cinco. Cada infusão tem um perfil diferente. A primeira é mais vegetal, a segunda mais doce, a terceira mais redonda. Quem faz só uma infusão está jogando fora metade do produto. O problema é que muita gente acha que chá é descartável e não sabe fazer a técnica de resfriar a água entre as infusões.

Quais categorias NÃO valem o dinheiro

Chás verdes aromatizados com frutas desidratadas costumam mascarar folhas de baixa qualidade. Se o aroma de pêssego ou jasmim é mais forte do que o próprio chá, fuja. Jasmim tecnicamente é um chá verde perfumado, não um tipo de chá verde em si, e a maioria dos produtores usa folhas muito velhas para essa categoria. Chás verdes em cápsula ou pronto para beber nas prateleiras de supermercado passam por pasteurização que destrói boa parte dos compostos interessantes. O sabor é suave porque já morreu. Você paga por conveniência, não por qualidade.

O green tea bag com fio e etiqueta é, na maior parte das vezes, folha de descarte. A indústria do chá usa os restos da colheita, tritura e coloca em saquinho. Não tem nada de errado com isso se o preço for baixo, mas não espere experiência sensorial alguma. Se o seu objetivo é realmente experimentar os tipos de chas verdes com alguma profundidade, o caminho mais barato e eficiente é comprar de importadores especializados ou de produtores que tenham curadoria de origem. Feitos corretamente, os resultados aparecem logo na segunda preparação. Feitos de qualquer jeito, você perde dinheiro e tempo.