Retro Video Games Consoles - Best retro games consoles 2022: the top nostalgic gaming revivals ...
Best retro games consoles 2022: the top nostalgic gaming revivals ...

Por que seu NES não liga (e como consertar sem gastar uma fortuna)

Aconselho todo mundo que compra um Famicom ou um NES usado a abrir o console imediatamente e inspecionar os conectores da entrada de cartucho com uma lanterna. Na maioria dos casos, você vai encontrar oxidação nos pinos internos ou, o que é ainda mais comum, a mola de contato principal frouxa até quase não fazer mais pressão. Eu descobri isso na pior das formas, com um cartucho de Super Mario Bros 3 que funcionava em três consoles mas nunca ligava no meu, e demorei uma semana inteira para entender o problema antes de desmontar. O processo de manutenção preventiva leva cerca de 40 minutos se você tiver as ferramentas certas. Você vai precisar de uma chave philips pequena, um cotonete, álcool isopropílico a 90% ou mais, e um palito de dente. Nada mais. O passo mais importante é limpar os conectores dourados do cartucho gentilmente com o algodão levemente umido em álcool, esfregando de um só sentido, nunca para frente e para trás, o que pode riscar a camada fina de ouro que protege os contatos. Cartuchos antigos são mais frágeis do que parece, e já vi gente riscar o suficiente para estragar um jogo que valia mais de duzentos dólares em marketplaces especializados.

O estado atual dos retro video games consoles no Brasil

O mercado brasileiro de consoles retrô tem particularidades que quem compra importado não experimenta. A maior parte dos fãs aqui opera com clones chineses ou consoles multi-cartucho que rodam ROMs, simplesmente porque um NES original funcionando custa entre R$400 e R$800 dependendo do estado, sem incluir frete. Os clones são suficientes para quem quer jogar, mas têm limitações sérias: a maioria usa chips de compatibilidade genéricos que não emulam cores corretamente em TVs antigas com entrada AV, e a qualidade do som costuma ser inferior ao hardware original por causa de osciladores de cristal mal calibrados. Se o seu objetivo é jogar Pac-Man ou Donkey Kong no seu televisor CRT dos anos 90, recomendo fortemente buscar um console original japonês (Famicom) com adaptador HVSI ou um superimpressor de sinal próprio. O sinal RF nativo desses consoles produz uma imagem muito mais nítida em CRTs do que qualquer saída HDMI via upscaler, porque o fósforo da tela responde instantaneamente ao sinal analógico sem a latência de processamento que existe nos conversores digitais. Upscalers como o RetroTINK ou o OSSC custam entre 600 e 1500 dólares, e para a maioria dos jogadores casuais, o esforço financeiro não compensa o ganho visual.

A questão dos cartuchos danificados é um problema que muita gente subestima. Cada vez que você encaixa e remove um cartucho, os contatos de bronze dentro do conectador se desgastam microscopicamente. Após 200 ou 300 inserções, o nível de oxidação e desgaste é suficiente para causar falhas intermitentes. A solução caseira mais barata e eficaz é o produto Gold Contact Cleaner da CRC ou similar, que é vendido em qualquer loja de materiais elétricos por cerca de R$25. Você borrifa nos contatos do console, insere e remove o cartucho dez vezes seguidas, e o problema some na grande maioria dos casos. Substituir o conector de cartucho inteiramente é uma opção, mas exige solda precisa em componentes SMD que podem derreter se você aquecer o tempo errado, e eu prefiro evitar essa situação sempre que possível.

Emulação: quando vale a pena e quando não vale

Emuladores como o Nestopia UE para NES, o Mesen, e o FCEUX são ferramentas muito mais confiáveis do que cartuchos físicos se você está preocupado apenas com a jogabilidade. A precisão do Mesen chega a 99,7% de emulação perfeita em termos de ciclo-exato, o que significa que bugs específicos do hardware original, como o sprite zero hit interrupt que muitos jogos usam para sincronizar animações, são reproduzidos com exatidão. O Nestopia é mais fácil de configurar mas não é cycle-exato, então jogos como Adventure Island 3 podem apresentar glitches visuais raros que não existem no hardware real. Se você tem interesse real em preservar jogos retrô, a alternativa mais prática é montar um sistema com Raspberry Pi 4 rodando Retropie ou Lakka. Um Pi 4 com um cooler passivo e uma fonte USB-C de boa qualidade custa cerca de R$350 no Brasil, e roda indolormente NES, SNES, Game Boy, Sega Mega Drive e PlayStation 1. Jogos de PS1 podem exigir um Pi 5 ou um mini PC mais robusto, mas para tudo que veio antes de 1998, um único dispositivo resolve. O ponto fraco aqui é que controllers USB genéricos muitas vezes têm input lag mensurável em torno de 8 a 12 frames, o que é aceitável para jogos de plataforma mas problemático para jogos de luta competitivos como Street Fighter II Turbo.

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Como montar uma coleção sem ficar louco gastando

Comprar consoles retrô é uma daquelas paixões que custa caro rápido se você não tiver estratégia. Um cartucho de Megaman 2 em caixa e completo pode passar de R$500 no Mercado Livre, enquanto o mesmo jogo sem caixa e com os manuais ausentes custa cerca de R$80. A diferença é enorme e depende inteiramente do seu objetivo. Se você quer apenas jogar, cartuchos nu (bare) são a escolha inteligente. Se quer preservar ou investir, aí sim vale a pena buscar completismo. A dica que ninguém dá é comprar conjuntos. Muitos vendedores amadores anunciam lotes de cinco ou dez cartuchos soltos por um preço total que, se dividido unitariamente, sai mais barato do que comprar cada um separadamente. Eu encontrei um lote de dez cartuchos de NES por R$150 que incluía jogos como Castlevania III, Zelda II e Metroid, todos testados e funcionando, e revendi três que eu já tinha por R$120 cobrindo praticamente todo o custo inicial. O segredo é saber o preço de mercado real de cada título antes de comprar o lote, usando sites como PriceCharting como referência, mesmo que os valores em reais precisem ser ajustados pela variação cambial.

Um problema real que enfrentei recentemente foi com um Famicom Dot Matrix Adapter que comprei usado. O adaptador é o cabo que permite conectar o Famicom japonês a uma TV com entrada AV padrão, e o modelo que eu tinha vinha com o conector DIN-de-9 internal solto dentro da carcaça. Isso fazia com que a imagem piscasse aleatoriamente dependendo de como eu segurava o console. A solução foi abrir o adaptador, identificar os dois pontos de solda que haviam desfeito, e rehaver com estanho novo e fluxo. Levei cinco minutos e o problema acabou. Consoles retrô falham frequentemente por conexões fracas, não por defeitos internos complexos, e passar um multímetro no continuity test nos conectores AV e de energia resolve metade dos problemas que chegam na bancada.

O que funciona de verdade e o que é perda de tempo

Muitos tutoriais na internet recomendam usar isopropílico a 70% ou até água morna com sabão neutro para limpar cartuchos. Isso é errado e pode destruir o conector. O álcool precisa ser 90% ou superior para evaporar rápido e não deixar resíduos. Sabão neutro deixa filme nos contatos que piora a condutividade em vez de melhorar. Já vi gente recomendar lixa d'água para remover oxidação dos pinos dourados, o que remove literalmente a camada de ouro e expõe o bronze por baixo, condenando o cartucho a uma degradação acelerada. O correto é limpar suavemente com pano macio e álcool de alta pureza, nada abrasivo. Consoles de fita cassete como o Commodore 64, o ZX Spectrum e o Nintendo Entertainment System com o Family Computer Disk System precisam de manutenção específica que é quase impossível de encontrar tutoriais bons em português. As cabeças de leitura das drive de disquetes magnéticos ressecam com o tempo, e substituir a correia de borracha do mecanismo de transporte do disquete é uma cirurgia que exige paciencia e peças de reposição importadas. Um drive de disquete original de Famicom que não lê mídia pode ser enviado para reparo especializado por cerca de R$200 a R$300, mas há risco de receber um drive consertado com componentes usados de outra unidade doadora, o que reduz a vida útil restante do conserto para dois ou três anos em média.

Se você está começando agora e quer apenas nostalgia sem complicações, um clone chinês de NES por R$80 com controles inclusos vai entregar mil e trezentos jogos clássicos sem qualquer dor de cabeça. O som não será idêntico ao original, as cores podem variar um pouco em monitores modernos, e a build quality é o que se espera pelo preço, mas para jogar Super Mario Bros 3 no sofá de casa às dez da noite, essa é a opção que funciona e não vai te frustrar. Os puristas vão discordar, e eles têm razão em alguns aspectos técnicos, mas a experiência de jogo em si raramente é comprometida a ponto de justificar o investimento maior, a menos que colecionar e preservar seja o objetivo real.