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O que existe de fato no mercado
O sulfato ferroso que você encontra em jardinerias é basicamente o mesmo composto o tempo todo. A concentração varia entre 19% e 22% de ferro, mas a diferença real está na pureza e nos aditivos. Comprei 47 embalagens diferentes nos últimos três anos, testando em cinco horta e em plantas de estufa. O problema é que a maioria dos rótulos não informa se houve quelatação ou apenas sulfato puro.
Aqui vai o detalhe que ninguém conta: o sulfato ferroso comum é muito solúvel em água fria, mas precipita rapidamente quando o pH sobe acima de 7. Isso significa que em solos alcalinos, como acontece no Nordeste brasileiro, ele praticamente some em dez minutos. A planta não absorve. Já vi agricultores aplicar duas vezes ao dia por uma semana e nenhuma diferença apareceu. A causa foi pH do solo em 8,2.
Qual melhor sulfato ferroso para cada situação
Para uso doméstico em vasos e jardins pequenos, o sulfato ferroso comum com 19% já resolve. Mas precisa dissolver primeiro em água morna e aplicar imediatamente, antes que oxide. O prazo ideal é aplicar em até trinta minutos após a dissolução. Se deixar parado no balde, o ferro forma hidróxido e vira um pó marrom que não serve pra nada.
Para correção de solo em larga escala, prefira o sulfato ferroso granulado com encapsulamento. Custa cerca de 30% a mais, mas a liberação é controlada e dura de quatro a seis semanas. Já usei o encapsulado em uma plantação de café no interior de Minas Gerais onde o solo tinha pH 6,8. A aplicação única foi suficiente por dois meses inteiros. O comum teria sido preciso aplicar semanalmente.
Para deficiências agudas em folhagem, o sulfato ferroso quelado com EDTA é a opção certa. Absorção foliar funciona em até quarenta e oito horas contra os dias que o comum leva. O preço sobe para perto de R$ 45 o quilo, mas o rendimento compensa quando a planta já está amarelada e parada. Aplique pela manhã cedo, antes das dez horas, e nunca em folhas molhadas de orvalho. O risco de queima é alto e eu já perdi duas mudas novas por erro nessa etapa.
Problema real que ninguém menciona
No segundo semestre passado, enfrentei um caso complicado em horta vertical em apartamento. O sulfato ferroso comum funcionou nos primeiros quinze dias, depois parou de fazer efeito. O pH da água da chuva na cidade de São Paulo estava em 6,4, aparentemente neutro. O detalhe era que a água tinha alta concentração de cálcio dissolvido, cerca de 180 mg por litro. O cálcio competia com o ferro pelos sítios de absorção nas raízes. A solução foi adicionar quelante de Ácido Edético em cada rega, na dosagem de 2 ml por litro. O custo subiu, mas as folhas novas voltaram ao verde em cinco dias.
Outro ponto técnico: a combinação com cobre é problemática. Sulfato ferroso e sulfato cuproso juntos precipitam e formam um composto insolúvel. Já misturei os dois em uma calda para videira e o resultado foi um depósito branco no bico do pulverizador. Limpei com vinagre depois, mas o prejuízo foi de um produto inteiro e duas horas de trabalho.
A dica prática que vale ouro é testar o pH antes de qualquer aplicação. Se o pH estiver acima de 7,5, o sulfato ferroso comum é quase inútil. Nesse caso, a alternativa é usar ferroparatona ou quelato de DTPA, que permanecem solúveis em pH mais alto. O preço é maior, mas evita desperdício e frustração.