Escolher óleo para cozinhar não é tão simples quanto parece
A pergunta qual é o melhor óleo aparece todo dia em fórum de culinária e a resposta curta é: depende do que você vai fazer. Não tem uma resposta única porque óleos diferentes agem de maneiras radicalmente distintas quando aquecidos. O erro mais comum que vejo é todo mundo tratando todos os óleos como intercambiáveis. Eles não são.
Qual é o melhor óleo para o seu caso específico
Vamos direto ao ponto. O que define a utilidade de um óleo são três coisas: ponto de fumaça, composição de gorduras e sabor residual. Se você pula algum desses critérios, já está cometendo erro. O ponto de fumaça é a temperatura na qual o óleo começa a se decompor e soltar compostos voláteis tóxicos. Azeite extra virgem fumaça por volta de 190°C. Óleo de girassol comum fumaça em 225°C. Óleo de amêndoas refinado chega a 270°C. Se você fritar algo a 200°C com azeite extra virgem, não só vai destruir o sabor mas também gerar acroleína, que é aquele composto que irrita os olhos e a garganta.
Eu tenho um caso real aqui que acho que vale mencionar. Havia uns anos atrás eu estava preparando um risoto usando azeite extra virgem para refogar a cebola. A panela estava em fogo alto demais e o azeite começou a escurecer. O risoto ficou amargo e com gosto de combustível. Levei pelo menos duas semanas recuperando o paladar porque aquele gosto ficou impregnado em tudo. A partir daí, para refogados em fogo alto, passei a usar apenas óleo de canola ou gergelim refinado. Para finalizar a comida, aí sim o azeite extra virgem entra. A composição de gorduras também importa muito. Óleos ricos em ômega-6, como o de soja e o de milho, são instáveis ao calor porque têm muitas duplas ligações na cadeia de ácidos graxos. Cada dupla ligação é um ponto de vulnerabilidade oxidativa. Quanto mais poliinsaturado, mais fácil o óleo rança e mais rápida a degradação térmica. Isso é química básica mas muita gente ignora.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
O azeite de dendê e o de coco são estáveis porque têm alta saturação. Eles sobrevivem bem a altas temperaturas. O problema é que o sabor do dendê domina qualquer coisa que você cozinhar, e o coco deixa gosto de sobremesa em pratos salgados na maioria das vezes. Outro detalhe que pouca gente considera: óleo de oliva barato muitas vezes é misturado com outros óleos vegetais. No Brasil, a rotulagem permite até 10% de outros óleos sem especificar quais. Já vi análise de lote com óleo de soja por baixo. Se você paga preço de azeite premium, deveria exigir o certificado de pureza. Não é paranóia, é prática.
Para fritura profunda, o indicado é óleo de amendoim ou de canola, ambos com ponto de fumaça acima de 230°C e baixa quantidade de poliinsaturados. O de amendoim tem um leve sabor que algumas pessoas gostam e outras não. O de canola é neutro. Eu uso canola para frituras grandes e amendoim quando faço frango frito porque o sabor combina melhor. Se você cozinha em temperatura média, tipo saltear legumes ou fazer ovos mexidos, o azeite extra virgem funciona perfeitamente. O segredo é controlar a temperatura. O óleo não pode estar fumegando. Se fumaçar, tá acima de 200°C e você já errou. Um termômetro infravermelho barato resolve isso em segundos.
Óleo de abacate é uma opção interessante que muita gente desconhece. Ponto de fumaça de 270°C, sabor neutro, gordura maioritariamente monoinsaturada como o azeite. O problema é o preço. Custa pelo menos três vezes mais que o azeite extra virgem. Vale a pena se você cozinha frequentemente em alta temperatura e não quer o sabor do azeite interferindo. Na prática, pra maioria das pessoas, não compensa o custo-benefício. Evite reutilizar óleo mais de duas vezes. Cada aquecimento quebra mais ligações e gera aldeídos. Depois de dois usos, o óleo já tem uma quantidade significativa desses compostos. Eu testei com kit de teste de anilina em casa e depois da terceira vez o nível já estava na zona de preocupação. descartar e trocar é mais barato que tratar problemas de saúde depois.
Não existe óleo universalmente melhor. Existe o óleo certo para a temperatura e o tipo de preparo certo. Comece identificando o que você cozinha com mais frequência, depois escolha o óleo correspondente. Resto é discurso de vendedor.