Como escolher e trocar as cordas do seu violino
Um jogo de cordas violino é simplesmente o conjunto das quatro cordas — Sol, Ré, Lá e Mi — que compõem o instrumento. A escolha errada pode deixar a afinação instável por dias ou pior, estragar o cavalete se você comprar um modelo com pontas metálicas grossas sem verificar a compatibilidade. Aqui vai o básico que a maioria dos vendedores não explica: existem três categorias principais. Cordas de tripa são as tradicionais, som quente mas muito sensíveis à umidade e temperatura. Cordas sintéticas, como a Dominant da Thymaser ou a Infeld da Thomastik, oferecem meio-termo estável — são as mais usadas por violinistas profissionais hoje em dia. Cordas de aço soam brilhantes e respondem rápido, ideais para iniciantes ou músicos de música pop/folk, mas podem soar frias demais para repertório clássico.
jogo de cordas violino: guia prático de instalação
Vou ser direto com o processo, porque há detalhes que todo mundo esquece. Primeiro, afrouxe todas as cravelhas até as cordas ficarem frouxas. Não puxe uma corda de cada vez e afine completamente a nova antes de colocar a seguinte — o tampo do violino sofre pressão assimétrica e o cavalete pode entortar. Mude duas cordas de cada vez, alternando lados opostos. Na hora de enrolar a ponta da corda no cavalete, faça um nó simples, passe por baixo da corda vizinha e puxe firme. O fio de aço da Mi muitas vezes escorrega se você não prender bem. Eu costumo deixar uns dois centímetros de sobra após o nó e amarrar com um petit-point ao redor da cravelha mesmo, isso evita que a corda desça durante a afinação.
Para esticar as cordas novas, abra lentamente cada cravelha e afine gradualmente. Nas primeiras 24 a 48 horas, você vai precisar afinar a cada meia hora mais ou menos. Cordas sintéticas levam cerca de três dias para estabilizar; as de aço, um dia. Se estiver com pressa, passe o arqueador devagar em cada corda solta — o atrito aquece e ajuda a assentar, mas sem exagerar ou você pode danificar o verniz.
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O problema que ninguém conta: corda de Mi metálica e o trillante
Eu tive um caso recente com um violino de aluno que vinha com um jogo de cordas violino de entrada, daquelas mais baratas da loja. A corda de Mi era de aço nú e começava a trilhar logo após a terceira casa, especialmente em Dó sustenido e Ré na oitava alta. Trocar a ponte não resolveu porque a ação já estava correta. O problema era a tensão excessiva daquela corda específica em relação às outras três, que eram sintéticas. A solução foi substituir a Mi por uma corda de Mi com núcleo de platina ou aço banhado, como a Pirastro E Super Core ou a Thomastik Dominant E. A diferença de tensão entre as cordas diminuiu, o trillante sumiu e o ataque melhorou. Se você notar esse efeito, não force a afinação para cima achando que é problema do instrumento. Muitas vezes é incompatibilidade entre as tensões do jogo.
Quais jogos de cordas violino valem a pena
Para estudantes: Pirastro Tonica ou Dominant. Custam entre 80 e 130 reais no Brasil, duram em média seis meses a um ano dependendo do uso. Para avançados que buscam timbre mais escuro: Pirastro Eva Rieder ou goldlabel. Para quem quer proeminência e projeção, especialmente em solos: Dominant com Mi de prata, ou então o conjunto full synthetic da Larsen. Uma nota prática sobre durabilidade. Cordas sintéticas perdem brilho sonoro e estabilidade de afinação depois de quatro a seis meses de uso regular. Se você pratica mais de duas horas por dia, espere trocar pelo menos a Mi a cada três meses, porque ela é a que mais sobe de tensão com o suor e o contato constante do dedo.
O que evitar ao montar seu jogo
Não misture marcas diferentes no mesmo violino sem testar. Alguns conjuntos são formulados para ter tensões equilibradas entre si; misturar uma corda Ré da Pirastro com um Lá da Savart pode deixar o instrumento desbalanceado, com uma ou duas cordas respondendo de forma diferente ao arco. Também não use cordas com pontas de encaixe esférico (ball end) em violinos que exigem pontas presas com nó, como a maioria dos instrumentos europeus tradicionais. Isso pode danificar a escova na cravelha e causar escorregamento. Se o violino for deentry level, custando menos de mil reais, talvez não valha a pena investir em cordas de alta gama desde o início. O próprio instrumento pode não suportar a tensão diferencial de forma adequada, e o som não vai refletir o potencial dessas cordas. Nesse caso, um jogo de entrância como a Pirastro Tonica já é um upgrade significativo em relação às cordas originais, que geralmente são de aço genérico e soam metálicas.
Por fim, se você trocar as cordas e notar que o som fica abafado após a instalação, verifique o do cavalete e se ele está bem assentado. Às vezes, o problema não é a corda, mas o fato de ela ter sido esticada de forma desigual e empurrado o cavalete para frente ou para trás, alterando o ângulo de contato com o tampo.