Configurando caixas de som portáteis com entrada de microfone
A maioria das pessoas comprou uma caixa de som portátil achando que funcionaria perfeitamente como amplificadora de microfone e depois descobriu que o resultado era um chiado insuportável ou um volume miserável. Isso acontece porque a arquitetura desses dispositivos não foi pensada para processamento de áudio com microfone na maioria dos modelos de entrada.
Caixa de som portatil microfone: como fazer funcionar na prática
Eu passei uns três meses tentando resolver esse problema em eventos pequenos de bairro, onde a galera queria cantar junto. O primeiro erro que cometi foi conectar um microfone dinâmico Shure SM58 direto na entrada de fone da JBL Charge 4. O resultado foi um sussurro praticamente inaudível. O problema é que a entrada auxiliar dessas caixas espera um sinal de linha, em torno de +4dBu, enquanto um microfone dinâmico gera algo na casa dos -60dBu a -50dBu. A diferença de ganho é brutal. A solução que funcionou foi usar um pré-amplificador de microfone intermediário. No meu caso, acabei comprando um Behringer UPA202 que sai por volta de R$150. Conecta o microfone nele, sai do pré com nível de linha, e entra na caixa portátil. O ganho que você consegue ajustar no pré faz toda a diferença. Sem isso, você está basicamente pedindo para a caixa amplificar um sinal que mal existe.
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Outra coisa que muita gente não sabe é que existem caixas portáteis com entrada de microfone nativa. Modelos como a JBL partybox on-the-go, a Bose S1 Pro, ou até opções mais acessíveis como as Haier e Positivo com função mixer já vêm com pré de microfone embutido. A desvantagem dessas opções é o preço. Uma JBL partybox on-the-go custa aproximadamente R$2.500 a R$3.000, enquanto um pré simples como o UPA202 resolve o mesmo problema por um décimo disso. O detalhe que ninguém conta sobre microfones capacitivos e caixas portáteis é que a maioria dessas caixas não fornece phantom power de 48V. Se você tem um microfone de condensador, mesmo conectando num pré, o pré precisa ter phantom power. Muitos pré-amplificadores baratos não têm. O Behringer UPA202 não tem. Se for usar condensador, tem que pegar um pré que tenha, como o Focusrite Scarlett Solo, que gira em torno de R$600.
Feedback é o inimigo número um nesse setup. Eu já tive que cortar dois graves num equalizador gráfico porque a caixa estava num pátio aberto e o microfone capava o som que voltava do alto-falante. A dica prática é posicionar a caixa atrás do microfone, nunca na frente, e usar microfones cardioides que rejeitam som pela parte traseira. Se você usar um omnidirecional, vai ter feedback mesmo virado pro lado certo. Também vale mencionar que a qualidade do cabo faz diferença. Cabo XLR mal encabeçado introduz ruído de fundo que a caixa vai amplificar junto com o sinal. Eu cheguei a trocar um cabo XLR de R$20 por um de R$45 e o ruído de fundo caiu quase pela metade. Não é brincadeira.
Se o seu uso é mais esporádico e você não quer investir em pré-amplificador, existe a opção de caixas com DSP integrado para voz. A Yamaha STAGEPASS 300I tem Equalização pré-configurada para voz e entrada XLR direta. É mais cara, mas elimina uma variável do setup. Para quem faz eventos semanais, o custo-benefício compensa porque você economiza tempo de setup que seria gasto ajustando ganho e equalização na marra. O limite real dessas configurações é a potência da caixa portátil. Uma JBL Charge com 30W RMS não vai sustentar um vocal claro num ambiente com 20 pessoas cantando junto. Você precisa de pelo menos 100W para algo que se mantenha audível sem distorcer. Abaixo disso, o som fica embrulhado e o microfone começa a entrar em oscilação mais fácil porque o sistema está sendo forçado no limite.