O que realmente leva tempo na hora de construir
A maioria das pessoas subestima o trabalho de terraplenagem e o alinhamento dos postes quando decide como fazer um cercado de madeira. A parte que as pessoas imaginam ser fácil — pregar as tábuas nos mourões — é, na prática, só uns 30% do serviço. Os outros 70% são cavar buracos, assentar os postes nível por nível, tratar a madeira contra umidade e ajustar as folgas para quando a madeira inchar ou contrair com o tempo. Já fiz cerca de dois quilômetros em terrenos irregulares e a lição mais dura que aprendi foi: não tente forçar o nível com o terreno. Se o terreno sobe e desce, o cercado vai subir e descer junto, e isso exige postes mais longos e braços de madeira alternados. No meu caso, em um terreno com declive de cerca de 40 centímetros a cada cinco metros, optei por fazer o cercado em degraus em vez de inclinar as tábuas. Ficou mais trabalhoso, mas depois de dois anos sem empenamentos estranhos ou travamentos nas portinholas, sei que foi a decisão certa.
como fazer um cercado de madeira do jeito que funciona na prática
Vamos começar pelo básico, mas com os detalhes que os tutoriais genéricos costumam pular. Materiais e ferramentas que você vai precisar:
Duas caixas de mourões de eucalipto tratada pressão, medida 10x10 cm, comprimento variável de acordo com a profundidade de enterramento (geralmente 1,2 metro para postagem + 1 metro para parte aérea). Tábuas de pinus ou eucalipto tratada, 2,5 cm de espessura por 10 a 15 cm de largura, dependendo do desenho desejado. Chapas de fixação ou sapatas metálicas para os mourões. Parafusos galvanizados ou inox 4x40 para as tábuas e 6x80 para as juntas estruturais. Argamassa de cimento e areia, ou apenas terra compactada bem firme. Ferramentas: pauk escaria ou trado manual para cavar buracos, nivelador a laser ou mangueira nível, esquadro, serra circular ou serra de fita, furadeira de impacto, brocas para madeira e concreto, e trena de 20 metros. Passo a passo real:
Comece marcando os pontos dos mourões com estacas e barbante. A distância padrão entre postes é de 2 a 2,5 metros. Se usar tábuas de 2 metros, mantenha essa medida. Se o cercado for mais alto, reduza para 1,5 metro para evitar balanço. Cave os buracos com 40 a 50 cm de diâmetro e 60 a 80 cm de profundidade. O solo argiloso segura melhor sem concreto; em solo arenoso, use uma mistura de cimento e areia na proporção 1:4 para dar estabilidade. A posicione o mourão, verifique o nível nas duas direções e marque a altura da parte aérea antes de fixar. Use o nivelador a laser se tiver acesso a ele — custo de aluguel cerca de R$ 50 por dia, mas economiza horas de retrabalho. Se não tiver, a mangueira nível funciona perfeitamente, embora seja mais lenta e exija duas pessoas.
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Depois de todos os mourões assentados e nivelados, fixe os braços horizontais (tacos de 5x10 cm) entre os postes. Use sapatas metálicas nos pontos de apoio e parafusos de 6x80 nos finais. As tábuas verticais vão sendo pregadas ou parafusadas nos braços, deixando uma folga de 2 a 3 mm entre cada peça para a expansão da madeira. Em clima quente e úmido, essa folga pode aumentar para 5 mm sem problema. O acabamento com selador acrílico ou tinta à base de água prolonga a vida útil em pelo menos três anos. Madeiras tratadas sob pressão já vêm com preservante, mas ainda assim exigem proteção superficial, especialmente nas pontas cortadas, que são o ponto mais vulnerável.
Pegadinhas que ninguém conta
A primeira é sobre a madeira verde. Se você comprar tábuas de pinus que não foram secas em estufa e instalar imediatamente, vai ver a cerca empenar em poucos meses. A cura adequada é de pelo menos 60 dias para pinus e 90 dias para eucalipto. Comprando madeira já seca, esse risco desaparece. A segunda é sobre os buracos. Muita gente cavou buraco rasa e acha que o cercado vai durar. A profundidade mínima deve ser de um terço da altura total do poste. Um poste de 2 metros precisa de pelo menos 60 cm enterrados. Em solos de aterro recente, essa profundidade precisa ser maior, porque o solo ainda está assentando e pode afundar o poste junto.
A limitação que ninguém admite: cercado de madeira simples, mesmo bem feito, tem vida útil de 8 a 12 anos em regiões de clima tropical com chuvas fortes. Eucalipto tratado pressure entra nessa faixa com boa manutenção. Pinus tratado pressure cai para 5 a 8 anos. Se o orçamento permitir, considere mourões de aço galvanizado com tábuas de madeira apenas nas partes visíveis. O custo inicial é maior, mas a manutenção praticamente zera por 20 anos. Em uma obra onde fiz essa mistura, reduzi o custo de manutenção anual de R$ 800 para R$ 120, com a vantagem de não precisar trocar postes a cada década. Outro detalhe prático: se o cercado delimita uma área de pasto ou contato direto com animais, deixe a parte inferior com 15 a 20 cm de espaço livre do chão. Isso permite a drenagem da água e evita que a primeira tábua apodreça prematuramente por ficar sempre úmida. Eu já vi cerca inteira cair porque a tábua de base ficou em contato direto com o solo molhado durante o inverno. Troquei oito metros de cerca em menos de três anos por causa disso.
O tamanho dos parafusos também importa mais do que parece. Prender tábuas com pregos é mais rápido, mas em vento forte e variações térmicas, o prego frouxa e solta. Parafuso galvanizado mantém a fixação por muito mais tempo, ainda que leve o dobro do tempo para instalar. Em uma cerca de 50 metros, isso representa algumas horas a mais de trabalho, mas evita chamados de manutenção anual. A escolha é sua, mas o custo-benefício do parafuso é claro se você não quiser lidar com isso toda estação.