Viola Caipira 12 Cordas - Viola Ativa Caipira Clássica 12 Cordas Rozini Rv155egcfi Natural ...
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Viola caipira mesmo sem as cordas certas não faz aquele barulho

A viola caipira de 12 cordas é mais difícil do que a maioria dos iniciantes imagina. O violão tem seis cordas, cada uma sozinha. Na viola, você agrupa essas seis cordas em pares ou trios que precisam ser apertados ao mesmo tempo. Se um fio estiver desafinado meio tom, toda a música soa errada e ninguém consegue identificar qual corda está o problema porque as harmônicas se sobrepõem. Eu cheguei a gastar três horas tentando acertar o afinacao de uma viola usada que comprei. As duas cordas da terceira casa do Ré principal estavam microdesafinadas entre si por causa de uma ponte mal lixada pelo fabricante. O instrumento parecia bem feito por fora. A solução foi colocar uma lupa de joalheiro e perceber que uma das cordas do par estava encravada no canal da ponte, sem assentar no osso corretamente. Resolvi com uma lixa 600 e um pouco de sabonete para limpar o canal. Levou onze minutos. A viola nunca mais ficou desafinada.

O que todo mundo precisa saber sobre viola caipira 12 cordas

As 12 cordas estão organizadas em cinco cursos: o primeiro curso tem quatro cordas (o Mi agudo), os demais cursos têm três cordas cada. Isso significa que quando você aperta um acorde, está pressionando até vinte e uma cordas individualmente. A tensão total no braço é muito maior do que no violão comum. Braços de viola caipira enfraquecem mais rápido se o instrumento ficar fora da caixa em ambientes secos por meses. Eu conheço dois casos de braços trincados por causa disso. O formato padrão de afinação é o mais comum, mas existem variações regionais importantes. No interior de Minas Gerais e São Paulo, a afinação padrão funciona bem. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, muitos músicos usam afinações alternativas que mudam completamente a disposição dos acordes. Se você vai estudar cifras encontradas na internet, precisa verificar se a afinação corresponde ao seu instrumento antes de tentar tocar qualquer coisa.

Uma coisa que quem só tocou violão nunca percebe na primeira vez: os trastes da viola são mais largos e mais altos do que os de um violão padrão. O aperto de dedilhado que funciona perfeitamente no violão deixa muitas notas abafadas na viola porque o dedo não consegue chegar fundo o suficiente no trasto sem apertar as cordas adjacentes. A técnica precisa ser diferente. Dedos mais grossos ajudam, mas o posicionamento correto do pulso faz mais diferença do que força.

Afinacao pratica

Para afinar, use um afinador cromático de pedaleira ou aplicativo confiável. Comece pelo curso de quatro cordas (Mi agudo) e ajuste cada fio do par individualmente antes de passar para o próximo curso. Afinações de violão comuns como EADGBE não funcionam porque a viola tem cinco cursos, não seis. A afinação padrão é: Mi-Mi, Si-Si-Si, Sol-Sol-Sol, Dó-Dó-Dó, Lá-Lá-Lá, Mi-Mi-Mi. O problema real começa quando você começa a tocar. As cordas novas esticam e desafinam constantemente nas primeiras sessões. Cordas de nylon envelhecem de forma diferente das de aço. Uma corda nova de nylon pode levar de duas a quatro horas de para estabilizar. Não adianta tentar acelerar esse processo aquecendo as cordas comsecador ou algo assim — isso só encurta a vida útil delas. Espere. Afine, toque, afine de novo. Depois de quinze dias de uso regular, as cordas estabilizam.

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Acordes e dedilhado

Os acordes abertos da viola caipira não são os mesmos do violão. O G na viola, por exemplo, exige que você aperte quatro cordas no segundo traste com o dedo indicador e use os outros dedos nos cursos inferiores. Se você traduzir cifras de violão para viola sem ajustar a mão, vai travar. A distância entre os trastes é menor e o braço é mais estreito. Dedos longos ajudam, mas a posição correta do punho resolve mais do que o tamanho da mão. O dedilhado tradicional usa o polegar para as cordas graves e os dedos indicador, médio e anelar para as agudas. Esse padrão é praticamente imutável na musica caipira autêntica. Tentar usar a técnica de palheta do violão funciona em alguns contextos, mas soa estranho na maioria das músicas tradicionais. Existem vídeos no YouTube mostrando essa técnica, mas a melhor forma de aprender é ouvir os clássicos como Tonico e Tijnco, Zé Henrique e Balduino, ou osgravadores mais recentes de Milton Fernandes.

Manutencao e problemas comuns

Quebra de corda é frequente, especialmente nas cordas duplas e triplas dos cursos centrais. Quando uma corda quebra, não substitua apenas aquela. Troque o par inteiro ou o trio inteiro. Cordas novas soam diferentes das antigas, mesmo sendo do mesmo lote. A mistura de timbres é perceptível e irrita o ouvido de quem toca com frequência. O ajuste da ação (altura das cordas em relação ao braço) é outro ponto crítico. Se a ação estiver muito alta, você gasta energia dobrada para cada nota. Se estiver muito baixa, as cordas vibram contra os trastes e produzem um zumbido desagradável. Um luthier experiente resolve isso em uma hora. O custo varia de 150 a 400 reais dependendo da região e do trabalho necessário. Não tente ajustar a haste de reforço do braço sem conhecimento — uma volta errada pode entortar o instrumento permanentemente.

Outro problema que vejo frequentemente: cordas de aço em vez de nylon. Alguns músicos colocam cordas de aço achando que vai durar mais ou soar mais forte. O resultado é um som agressivo que não tem nada a ver com a música caipira tradicional. A viola foi construída para nylon. Cordas de aço exercem pressão excessiva na tampa e no braço, e o som perde a suavidade característica do instrumento. É uma escolha estética, não técnica, e a maioria dos puristas não aprova.

Onde encontrar cifras e material de estudo

Existem canais no YouTube dedicados exclusivamente a viola caipira. Os mais completos mostram a posição das mãos em câmera lenta e explicam cada acorde passo a passo. Também há fóruns e grupos no Facebook onde músicos compartilham cifras e trocam dicas de afinação. Um recurso útil é o site viola.caipira.com.br, que reúne tablaturas organizadas por estilo e dificuldade. Para quem quer aprender do zero, o método mais recomendado é começar com exercícios de escala cromática em todos os cursos, seguidos de acordes abertos básicos. Não pule essa fase. Muitos desistem porque querem ir direto para as músicas, mas sem domínio dos fundamentos o dedilhado fica desorganizado e a velocidade nunca melhora. Leva de três a seis meses de prática diária para atingir um nível confortável de execução.