Conhecendo os principais tipos de tartarugas jabuti que existem no Brasil
Quando o assunto são as quelônios terrestres brasileiras, a confusão entre os nomes comuns é enorme. A maioria das pessoas chama qualquer tartaruga terrestre de jabuti, mas na prática existem espécies diferentes com características bem distintas. Vou listar o que você realmente encontra pelo Brasil, com os problemas práticos que aparecem na hora de identificar e cuidar de cada uma.
Quais são os tipos de tartarugas jabuti
O jabuti-piranga (Chelonoidis carbonarius) é o mais conhecido e distribuído. Habita desde a Amazônia até o Cerrado e a Mata Atlântica. O casco é preto com manchas amareladas nas bordas, e as patas dianteiras têm una única, o que ajuda na escavação. O tamanho adulto gira entre 40 e 60 centímetros. É uma espécie que se adapta razoavelmente bem a cativeiro, mas precisa de umidade relativa entre 60 e 80 por cento para manter a saúde da pele e do casco corretamente. O jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) vive principalmente na região amazônica e nos estados do Norte. É maior que o piranga, podendo atingir 70 centímetros e pesar mais de 15 quilos. As patas traseiras têm duas unhas, não uma, e essa é a diferença física mais confiável para diferenciar as duas espécies. O casco é mais alto e arredondado. O problema prático aqui é que o tinga é mais sensível a variações bruscas de temperatura e umidade, e em cativeiro tende a desenvolver problemas renais mais facilmente se a ingestão de proteína for elevada demais durante o crescimento.
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Tem ainda o cunhambizal (Chelonoidis abingdonii), que é a tartaruga-gigante-de-alcyoneus, mas essa espécie é_extinta na natureza e não tem relevância prática para quem busca informação sobre espécies brasileiras. As duas únicas espécies nativas de verdade são o piranga e o tinga. O que muita gente não leva em conta na hora de criar ou resgatar esses animais é a questão legal. Tanto o jabuti-piranga quanto o jabuti-tinga são espécies protegidas pelo Ibama, e a posse sem registro ou licença é crime ambiental. Já vi pessoas confundirem isso achando que "acharam" uma tartaruga na rua e poderiam ficar com ela. Na prática, o correto é encaminhar ao órgão ambiental ou a um centro de triagem de fauna. Se o objetivo é criação comercial, o processo de licenciamento leva em média de 3 a 6 meses, dependendo do estado, e exige projeto técnico assinado por veterinário.
Dos dois tipos de tartarugas jabuti, o piranga é o que tem mais documentação de criação no Brasil, principalmente em cativeiros de conservação e reserva legal. O tinga ainda carece de mais estudos sobre manejo reprodutivo em cativeiro, então as informações disponíveis são mais limitadas. Isso significa que, se você tiver um tinga, provavelmente vai depender mais de experiência empírica e acompanhamento veterinário especializado do que de protocolos consolidados.