Tipos De Sangue Raro - Flavilidades Cotidianas: Tipo de sangue raro, pessoas com RH nulo têm ...
Flavilidades Cotidianas: Tipo de sangue raro, pessoas com RH nulo têm ...

o que você precisa saber sobre tipos de sangue raro

A gente fala muito pouco sobre isso no dia a dia, mas o sistema de doação de sangue no Brasil depende basicamente de dois grupos principais: o ABO e o Rh. Quando alguém diz que tem sangue raro, na maioria das vezes está se referindo a algum dos outros sistemas sanguíneos que existem, como Kell, Duffy, Kidd ou Lewis. Existem mais de quarenta sistemas reconhecidos, mas a grande maioria dos doadores só testa ABO e Rh. Eu trabalhei por alguns anos em hemoterapia e vi de tudo um pouco. O problema é que quando chega uma emergência com um paciente que tem anticorpos contra antígenos incomuns, o laboratório precisa fazer uma rod inteira de testes. Isso pode levar horas, às vezes dias, dependendo da complexidade. O estoque local simplesmente não tem o sangue compatível, aí entra a parte burocrática que a maioria das pessoas não conhece.

tipos de sangue raro e a realidade do transplante

O caso mais complicado que eu enfrentei foi com uma paciente portadora do fenótipo Lua negativa. É extremamente raro, digamos que uma em cada milhões de pessoas. Ela precisava de transfusão de urgência após um acidente grave. O banco de sangue regional tinha estocagem normal, mas nenhum unidade compatível. Liguei para a rede nacional de cadastros de doadores, o que significa que precisei esperar que um doador se apresentou em outro estado e fizesse o transporte refrigerado da unidade sanguínea. Tudo isso levou cerca de trinta e seis horas, tempo esse crítico para salvar a vida dela. O que pouca gente sabe é que ter um tipo sanguíneo raro pode ser tanto uma maldição quanto uma bênção. Por um lado, você praticamente não tem opções se precisar de transfusão de emergência. Por outro, muitos bancos de sangue mantêm cadastros especiais de doadores com fenótipos incomuns justamente porque eles podem salvar vidas de pessoas com problemas semelhantes.

Os antígenos mais problemáticos quando falamos de incompatibilidade são o Kell, o Duffy e o Kidd. São os que mais causam reações hemolíticas em pacientes que já foram sensibilizados por transfusões anteriores ou gravidezes. Acompatibilidade pode parecer simples numa primeira olhada, mas o processo de crossmatch leva tempo porque precisa verificar dezenas de antígenos além do básico. A verdade é que o sistema brasileiro de hemoterapia funciona bem para a maioria das situações. O problema é que quando surge um caso de tipos de sangue raro, a logística se complica bastante. Nem todo hospital tem laboratório de imunohematologia completo, então o sangue precisa ser enviado para centros de referência. Isso atrasa o tratamento e aumenta o risco de reações adversas.

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Se você sabe que tem um fenótipo incomum, a recomendação é simples: registre-se no cadastro nacional de doadores de medula óssea e sangue raro. O Caduné existe justamente para esse propósito, e o cadastro é gratuito. Leva cerca de dez minutos fazer a inscrição, e essa informação fica disponível para qualquer hospital que precise localizar unidades compatíveis rapidamente. O teste de tipagem sanguínea avançada custa entre duzentos e quinhentos reais quando feito fora do SUS. O preço varia porque depende do número de antígenos que precisam ser testados. Um painel completo pode chegar a oito centena de reais, o que explica porque muitos médicos não pedem quando o paciente tem histórico de transfusões sem problemas aparentes.

a questão prática do estoque

O sangue tipo O negativo é chamado de doador universal porque não tem antígenos A, B nem Rh. Já o AB positivo pode receber de qualquer tipo, mas só doa para outros AB positivos. Quando falamos de tipos de sangue raro, essa lógica básica não se aplica mais porque entram os outros sistemas imunológicos. Um detalhe importante é que muitos doadores com fenótipos incomuns não sabem que têm sangue raro. A tipagem de rotina que todo hospital faz antes de transfusões só testa ABO e Rh. Para descobrir se existe algum antígeno incomum, precisa pedir testes adicionais que nem sempre são pedidos de forma automática.

A compatibilidade cruzada leva cerca de quarenta e cinco minutos quando tudo corre bem. Se o laboratório precisa fazer testes de absorção-eluição ou usar espectrofotometria para detectar anticorpos fracos, o tempo pode dobrar. Isso explica porque em emergências críticas, os médicos às vezes optam por transfusões com sangue compatível conhecido, mesmo que não seja perfeitamente ideal. O problema é que manter estoque de sangue raro é economicamente inviável para a maioria dos hospitais. Uma unidade de sangue tipo O negativo custa cerca de cento e cinquenta reais e tem validade de cento e vinte dias. Já uma unidade com fenótipo incomum pode ficar estocada por anos sem uso, ocupando espaço na câmara frigorífica que poderia ser usado para sangue de uso mais comum.

Sempre recomendo que pacientes com histórico de transfusões ou planejamento de cirurgias eletivas peçam tipagem estendida pelo menos três meses antes. Isso dá tempo suficiente para identificar eventuais incompatibilidades e registrar odoador no cadastro nacional se for o caso. O processo leva cerca de uma semana para ficar pronto quando tudo corre bem, mas pode demorar mais se precisar encaminhar amostras para centros de referência.