O que é telha de zinco termica e como ela se comporta na prática
A telha de zinco termica é uma cobertura metálica que combina uma camada de zinco com um núcleo isolante térmico, geralmente poliestireno expandido ou poliuretano. O resultado é uma cobertura que reflete parte da radiação solar e reduz a transferência de calor para o interior do edifica. Nada mágico, mas funcional quando instalada corretamente. O perfil mais comum no Brasil é o tipo ondulado S-8 ou similar, com espessuras de chapa variando entre 0,45 mm e 0,70 mm de aço galvanizado.Zinco puro mesmo, o material de cobertura, é raro nessa aplicação. Quase tudo que se vende como "telha de zinco" é, na verdade, aço galvanizado com alumínio-zinco (tipo Galvalume). A diferença é importante porque o Galvalume tem desempenho superior em corrosão, especialmente em ambientes costeiros.
Instalando telha de zinco termica: o passo a passo real
Começa pela estrutura. A distância entre caibros ou tesouras para telhas metálicas deve ficar entre 0,60 m e 0,77 m, dependendo do peso e do vão. Se a estrutura existir e estiver nivelada, a instalação em si leva cerca de 4 a 6 horas para um telhado residencial padrão de 50 metros quadrados, feito por duas pessoas. O que a maioria dos manuais não menciona é a questão das dilatações. O zinco e o aço dilatam-se significativamente com variações de temperatura. Uma telha de 4 metros pode expandir-se cerca de 6 a 8 mm em dias quentes. Se você fixar as telhas com parafusos bem apertados desde o início, o metal vai travar, tensionar as chapas e, com o tempo, os furos dos parafusos vão se alongar, criando folgas por onde a água entra.
O truque prático é usar arruelas de EPDM de boa qualidade e nesses parafusos autosertantes com ponta de broca para metal. Aperte até a arruela comprimir, mas não além do ponto de esmagar a borracha. Se a arruela ficar plana como uma moeda, você já passou do limite. Deixa ela levemente deformada em formato de disco, não achatada. A sobreposição lateral entre telhas deve ser de no mínimo uma ondulada completa, o que corresponde a cerca de 10 a 12 cm de abraço. A sobreposição nas pontas (comprimento) depende do regime de ventos local e da inclinação. Para telhados com inclinação abaixo de 15 graus, recomendo no mínimo 20 cm de sobreposição longitudinal. Em regiões costeiras, esse valor sobe para 25 cm porque a chuva vem com vento lateral e entra por qualquer folga.
Os parafusos devem ser posicionados sempre na crista da ondulação, nunca no vale. Isso reduz a chance de infiltração em até 80% comparado a furações nos vales. Use parafuso por metro linear de abraço lateral, mais um parafuso adicional a cada 0,50 m ao longo da sobreposição longitudinal. Um detalhe que custa caro quem não sabe: a proteção das bordas cortadas. Todo corte na chapa expõe o núcleo de aço sem proteção metálica. Pinte essas bordas com uma tinta asfáltica ou selador anticorrosivo antes de instalar. Eu já vi telhado sendo substituído inteiramente aos 4 anos porque alguém cortou as telhas no terreno e não tratou as bordas. O aço começa a enferrujar pela extremidade cortada e a corrosão avança para dentro em linhas retas, seguindo o caminho da umidade.
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Limitações e cenários onde telha de zinco termica não funciona bem
Não é solução para tudo. Em regiões com chuva de granizo frequente, telhas de zinco termica com chapa abaixo de 0,55 mm de espessura vão amassar com relativa facilidade. O núcleo de espuma também não oferece nenhuma resistência mecânica. Se granizo é um risco real no seu projeto, considere telhas de concreto ou fibrocimento com espessura mínima de 7 mm, ou então elevate a espessura do zinco para 0,70 mm. O ruído é outro ponto. Mesmo com a camada isolante, chuva forte ainda faz barulho. Não é o tinido ensurdecedor de uma chapa simples, mas em um quarto abaixo do telhado você vai ouvir. Se isso for um problema, a solução é forrar a parte inferior da estrutura com uma manta acústica ou gesso acartonado com lã de vidro, o que encarece o projeto em cerca de R$ 15 a R$ 25 por metro quadrado.
A condutividade elétrica também merece atenção. Telha metálica é condutora. Se sua região tem muitos raios, é obrigatório instalar sistema de para-raios com aterramento conectado diretamente à estrutura metálica do telhado. Sem isso, você estáamente usando o telhado como um dissipador passivo de descargas atmosféricas, e isso não é brincadeira. Outro ponto frequentemente ignorado: a diferença de potencial eletrolítico quando o telhado metálico entra em contato com madeira tratada ou outros metais. Use sempre separadores de material isolante nos pontos de apoio das telhas sobre a estrutura de madeira. Fita de EPDM ou tiras de borracha entre a telha e o caibro resolvem isso.
Especificação técnica para garantir que o projeto dure
Procura especificar: chapa de aço Galvalume 55% alumínio, 43% zinco e 2% silício, com espessura mínima de 0,55 mm para uso residencial em regiões de clima temperado e 0,65 mm para regiões costeiras ou industriais. O revestimento poliuretano ou poliestireno deve ter densidade mínima de 18 kg/m³ para o núcleo isolante. Parafusos com banho de níquel ou zincagem dupla, com arruela de EPDM 100% borracha etileno propileno, não borracha reciclada. O declividade mínima recomendada é de 5 graus para telhas com sobreposição bem vedada em regiões de baixa pluviosidade. Acima de 100 mm de chuva média mensal, mantenha inclinação de pelo menos 10 graus. Isso não é teoria, é regra prática que evita acumulo de água e retorno por capilaridade entre as sobreposições.
Se o orçamento permitir, considere telhas com acabamento cerâmico ou pintadas com tinta reflectiva. A diferença de custo é pequena, cerca de 8 a 12% acima do preço padrão, mas a redução de temperatura interna pode chegar a 4 a 6 graus Celsius em comparação com a telha metálica não tratada. Em um projeto onde o ar condicionado roda 12 horas por dia, esse número se traduz em economia real de energia desde o primeiro mês.