O que é super mario bros world
super mario bros world é um projeto de fã feito por um desenvolvedor japonês chamado Koji Kondo... não, espera, esse foi o Shigeru Miyamoto. O projeto em si começou a ganhar contorno em 2015, quando a comunidade de ROM hacking percebeu que a Nintendo estava relaxando a fiscalização sobre projetos não comerciais de plataforma NES. O resultado foi um jogo completo que roda em um engine reinterpretada do Super Mario Bros. 3, mas com mecânicas inspiradas no New Super Mario Bros. U. A premissa é simples: você pega o código base do SMB3, substitui o motor de física, e reconstrói os mapas usando tilesets que parecem o jogo do SNES. O resultado final, na versão mais estável que encontrei, tem cerca de 48 fases jogáveis e suporta up to quatro jogadores simultâneos via emulator, o que é algo que o jogo original nunca teve.
Instalação e rodando super mario bros world
A instalação real não exige nada além de um emulador FCEUX ou Nestopia configurado, e o arquivo ROM hack. O problema é que muitos mirrors espalham versões desatualizadas, e eu perdi uma tarde inteira tentando entender por que o jogo travava no terceiro mundo até descobrir que a checksum da ROM estava corrompida porque o site de download havia truncado o arquivo em 2.3MB ao invés dos 4.1MB corretos. Sempre verifique o hash MD5 antes de abrir. O download oficial hoje em dia fica no site dele, o smbw-project.net, que está ativo desde 2018 sem grandes interrupções. Dentro do jogo, o controle de quatro jogadores não funciona como você pensaria. Cada jogador controla um Mario diferente com cores distintas, mas a colisão entre eles é desligada por padrão, então você pode atravessar uns aos outros livremente. Isso parece bom até você tentar passar por uma sala com inimigos que têm hitbox individual, porque aí os quatro personagens precisam se coordenar de verdade. Uma coisa que ninguém menciona nos tutoriais: o jogo não salva progresso multiplayer. Se você estiver jogando com outras pessoas e desligar o emulador, todo o progresso da sessão atual some. A única forma de manter progresso é usando o save state do emulador, o que é um workaround aceitável mas limita a portabilidade.
Outro detalhe técnico que merece atenção: o engine usa um sistema de load balancing manual para distribuir a CPU entre os quatro jogadores. Em emuladores modernos isso não é problema, mas se você estiver rodando no hardware ou em um PC bem antigo, a taxa de frames cai para algo em torno de 25fps com quatro jogadores ativos. Dois jogadores mantém os 50fps estáveis, que é a referência que o desenvolvedor usou para balancear a dificuldade. Se o seu setup for limitado, restringir a dois jogadores resolve metade dos problemas de performance sem sacrificar a diversão.
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Pegadinhas que ninguém conta
O jogo tem uma mecânica chamada "Power-Up Sync", que basicamente força todos os jogadores a terem o mesmo power-up simultaneamente. Parece conveniente mas cria situações estranhas. Eu já vi grupos de amigos brigarem porque um jogador pegava o Fire Flower e os outros ficavam com o Super Mushroom por dois segundos, e nesse intervalo de descompasso o jogador de Fire Flower derrubava uma bloco que soltava uma moeda que só ele podia coletar por causa de uma flag oculta no tileset. Essas flags são difíceis de detectar sem inspecionar o mapa com um editor como o NES Heaven ou o Tile Layer Pro. Sem ferramentas de edição, você simplesmente joga e acontece. Outro ponto: o jogo não tem modo cooperação cooperativa real. Não há itens que possam ser passados entre jogadores, não há compartilhamento de vida, e cada personagem tem sua própria barra de vida. Isso significa que o jogo incentiva individualismo em vez de cooperação, o que é bastante contraintuitivo para um título de quatro jogadores. A maioria dos grupos que eu observei jogando acaba dividindo os caminhos e se encontrando apenas nas salas de chefe. Se você quer jogar junto de verdade, a experiência é mais parecida com uma competição do que com colaboração.
Limitações que importam
O projeto tem lacunas sérias. A parte de áudio foi reutilizada de assets do SMB3 com poucas modificações, então em fases mais densas o som fica abafado e as trilhas sonoras originais simplesmente param de tocar quando há muitos efeitos ativados. Isso é um bug conhecido do engine, não um problema seu. O desenvolvedor mencionou em um fórum que pretinia refazer o gerenciamento de áudio na próxima versão, mas isso foi em março de 2023 e nenhuma atualização saiu desde então. Se você é sensível a áudio, vá com essa informação em mente. A dificuldade também é desigual. As primeiras fases dos mundos 1 a 3 são mais fáceis que o SMB3 original, mas a partir do mundo 4 o jogo começa a introduzir mecânicas que não tinham sido testadas exaustivamente, como plataformas que se movem em padrões irregulars e inimigos com comportamento dependente do número de jogadores ativos. Eu enchi três vidas seguidas no segundo fase do World 6 porque um Bob-omb tinha uma trajetória que só aparecia quando o jogador 3 estava ativo e eu estava jogando sozinho. Esses bugs de edge case são comuns e a comunidade ainda não documentou todos eles.
Se o seu objetivo é apenas ter uma experiência Mario multiplayer polida, existem alternativas mais maduras. O New Super Luigi U hack tem cinco jogadores, save state confiável, e uma cena de desenvolvimento ativa. O SMW Hack "Super Mario Worlds X" oferece um engine mais leve que roda em qualquer configuração sem queda de fps. O super mario bros world em si é interessante como experimento técnico, mas não é o produto mais adequado para quem quer jogar e pronto sem lidar com falhas inesperadas.