Revestimento Atras Do Fogão - 6 ideias de azulejo atrás do fogão que deixam a cozinha charmosa | CLAUDIA
6 ideias de azulejo atrás do fogão que deixam a cozinha charmosa | CLAUDIA

Colocando revestimento atrás do fogão: o que funciona na prática

Muita gente acha que colocar revestimento atrás do fogão é só colar azulejo e terminar. A realidade é um pouco mais chata do que isso, mas se você seguir os passos certos, o resultado fica bom e dura anos sem precisar de manutenção. O primeiro problema que aparece não é na cola nem no rejunte. É a parede em si. A maioria das cozinhas brasileiras tem alvenaria de bloco cerâmico rebocado, e esse reboco muitas vezes está com a superfície muito áspera ou com partes soltando. Se você colar o revestimento atrás do fogão direto nesse reboco sem tratar antes, em seis meses vai ter azulejo descolando. Não é questão de tempo, é certeza. Eu já vi isso acontecer em pelo menos dez obras só nos últimos dois anos.

O que usar como revestimento atrás do fogão

A opção mais comum é o azulejo cerâmico de 10x10 cm ou o porcelanato retificado de formato similar. O vidro temperado também é uma alternativa que tem ganhado espaço, principalmente em cozinhas modernas. Cada um tem vantagens e desvantagens que precisam ser consideradas antes de comprar o material. O azulejo cerâmico é barato e fácil de encontrar. O problema é que ele é poroso e precisa ser selado antes de rejuntar, senão a gordura da cozinha penetra no material e fica aquela mancha amarelada que não sai nunca. Eu já fiquei horas passando detergentes e produtos específicos numa cozinha de apartamento alugado e nada funcionou. A única solução que funcionou foi trocar os azulejos afetados, o que deu trabalho desnecessário.

O porcelanato retificado é mais denso e menos poroso, o que reduz bastante esse problema de manchas. Ele também permite juntas mais finas, o que é bom porque junta menor significa menos superfície para a gordura se acumular. O contra é o preço, que pode ser até três vezes maior que o do azulejo cerâmico comum. O vidro temperado é o que eu recomendo quando o orçamento permite. Ele é completamente não poroso, não precisa de rejunte (usa-se silcone incolor ou cola especial), e qualquer gordura que caia pode ser limpada com um pano úmido em segundos. O custo inicial é mais alto, mas a manutenção praticamente zero compensa a longo prazo. A desvantagem é que ele mostra qualquer marca de dedo e exige que a parede atrás fique perfeitamente plana, senão fica visível.

Existe também a opção do aço inoxidável, que é amplamente usado em cozinhas comerciais mas raramente em residências. Ele é resistente ao calor, à água e à gordura, mas arranha com facilidade e tem aparência muito industrial para o gosto da maioria dos moradores.

Medição e planejamento antes de comprar qualquer coisa

Meça a largura e a altura da área que será revestida. A largura normalmente é a mesma do fogão ou da placa, que varia entre 60 cm e 90 cm. A altura padrão recomendada é de 50 cm acima da bancada, mas se você cozinha muito e gosta de fritar, considere subir para 60 ou 70 cm. Essa decisão é importante porque cada centímetro extra significa mais material e mais mão de obra. Anote também a posição das tomadas e interruptores. Se houver alguma tomada na área que será revestida, você vai precisar cortar peças ou deslocar a tomada, o que aumenta o tempo de instalação. Em uma cozinha que fiz recentemente, encontrei uma tomada exatamente no meio da área que deveria ser revestida. O eletricista precisou deslocá-la para cima, o que levou duas horas extras e custou cerca de R$ 80 apenas de mão de obra.

Calcule o número de peças considerando 10% de desperdício para cortes. Em áreas irregulares com tomadas e interruptores, esse percentual pode subir para 15%. Comprar material a mais também serve de reserva para eventuais reposições futuras, caso algum azulejo trinche ou quebre.

Preparação da parede

Remova qualquer coisa que esteja fixada na parede: ganchos, prateleiras, quadros, e principalmente a tampa de inspeção de caixa d'água se ela estiver na área de trabalho. Limpe a superfície com água e sabão neutro para retirar gordura, poeira e resíduos de tinta solta. Se a parede tiver tinta látex boa e bem aderida, pode deixá-la. Se for tinta a óleo ou tinta imobiliária com aspecto brilhante, lixe levemente para criar aderência. Verifique a horizontalidade e verticalidade da parede com um nível de bolha ou laser. Paredes novas de construtora costumam ter desvio de até 5 mm em 2 metros, o que é aceitável mas exige ajuste na hora de colar. Paredes antigas podem ter desvios muito maiores, especialmente se houver irregularidades causadas por reformas anteriores.

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Se a parede tiver trincas, trate-as antes de revestir. Passe uma malha de fibra de vidro sobre a trinca e refaça o reboco na região. Colar azulejo por cima de uma trinca ativa é garantia de que o revestimento vai trincar junto com a parede no futuro.

Aplicação da cola e colagem

Para a maioria dos casos, use cola cerâmica classe C1 ou C2, disponível em qualquer loja de materiais de construção. A C2 tem aderência superior e é indicada para superfícies mais exigentes, como porcelanatos e areas com variação térmica maior. Aplique a cola na parede com uma colher dentada. O tamanho da dentadura depende do tamanho da peça. Para azulejo de 10x10 cm, use colher 8 mm. Para porcelanato retificado de qualquer tamanho, use pelo menos 10 mm. Passe a cola em uma área de aproximadamente 1 m² de cada vez, porque ela resseca rápido no ar, especialmente em dias quentes e secos.

Pressione a peça contra a parede fazendo um leve movimento de vaivém para garantir contato completo. O teste simples é descolar uma peça depois de posicionada: se a cola cobrir mais de 85% da parte traseira, a colagem está boa. Se cobrir menos, retire a peça, aplique mais cola e recoloque. Deixe as juntas abertas com niveladores cruzados ou cunhas de plástico. Para o revestimento atrás do fogão, uma junta de 2 mm é suficiente e facilita a limpeza posterior. Juntas muito largas acumulam gordura e ficam feias rapidamente.

Respeite o tempo de cura da cola antes de rejuntar. Em condições normais de temperatura e umidade, isso é de 24 horas. Em dias mais úmidos ou frios, espere 48 horas. Rejuntar antes do tempo é um erro comum que causa descascamento do rejunte e deskolagem de peças.

Rejuntamento

O rejunte epoxi é a melhor escolha para a área atrás do fogão. Ele é impermeável, resistente a manchas e não escurece com o tempo como o rejunte cimentoício tradicional. A aplicação é um pouco mais trabalhosa e o preço é cerca de 40% maior, mas o resultado vale o investimento. Uma demão de rejunte epoxi bem aplicada dura décadas sem problemas. Se optar pelo rejunte cimentoício, aplique duas camadas finas e impermeabilize a superfície depois de curado. O impermeabilizante para rejunte forma uma película que repele água e gordura, mas precisa ser reaplicado a cada dois ou três anos, dependendo do uso.

Após o rejuntamento, limpe o excesso com esponja úmida antes que seque completamente. Limpar rejunte seco é muito difícil e pode danificar a superfície da peça cerâmica.

Detalhe que quase todo mundo esquece

A distância entre o revestimento e a placa ou o fogão deve ser de pelo menos 1 cm. Se o revestimento encostar diretamente no equipamento, a vibração do funcionamento e a expansão térmica podem causar trincas nas peças ou soltar a cola com o tempo. Use separadores de espuma ou fita crepe como calço durante a instalação para garantir essa folga. No final, passe vedação acrílica ou silicone incolor na junção entre o revestimento e a placa/fogão. Isso evita que gordura e líquidos_escorram para trás do revestimento, onde não dão para limpar e criam mofo e mau cheiro com o tempo. Eu perdi um lote inteiro de azulejos porque alguém vedou mal essa junção e a água entrou por trás durante uma limpeza profunda da cozinha. Descolar e recolocar é muito mais caro do que fazer certo desde o início.

Quando não vale a pena fazer

Se sua cozinha tem ventilação muito ruim e você cozinha com fogo alto todos os dias, o revestimento atrás do fogão vai acumular gordura rapidamente, independentemente do material escolhido. Nesse caso, considere usar uma placa de vidro temperado sob medida ou uma capa metálica removível que possa ser limpa com mais facilidade. Também não faz sentido revestir se a área atrás do fogão for coberta por um exaustor bem posicionado que capture a maioria dos vapores de gordura antes que atinjam a parede. Nesses cenários, o custo-benefício do revestimento é baixo e o esforço de manutenção é alto. O investimento em bom material e mão de obra qualificada paga a própria conta com a durabilidade. Um revestimento mal feito atrás do fogão é uma dor de cabeça permanente, e corrigi-lo depois custa o dobro do que seria fazer certo desde o começo.