Relógios Lacoste: um guia prático para quem quer comprar
Eu comprei meu primeiro relógio Lacoste em 2018, numa loja do Iguatemi São Paulo, porque estava cansado de trocador de bateria todo ano. A loja era pequena, o atendente parecia que tinha sono, e eu praticamente empurrei o caixa com o cartão sem nem perguntar sobre garantia. Foi um de seus dias. O que muita gente não sabe é que a Lacoste não é uma marca de luxo de verdade. Eles fabricam relógios em séries, usam movimentos quartz da Swatch Group, e o preço geralmente reflete mais o logotipo do crocodilo do que a engenharia por dentro. Isso não quer dizer que seja ruim. Quer dizer apenas que você está pagando por uma estética, não por uma herança horológica.
Como escolher o relogio branco da lacoste certo para seu pulso
A linha branca da Lacoste inclui modelos como o Saint Tropez, o Dames, e o Hydrogen. O Saint Tropez tem pulseira de aço com acabamento escovado, vidro mineral (não safira, a menos que seja versão limitada), e mostra o logo em relevo no mostrador. O Hydrogen é mais esportivo, com pulseira de silicone e corpo em titanio, pesando cerca de 45 gramas no total. Uma coisa que eu descobri na prática: o vidro mineral da Lacoste risca com facilidade se você passar a manga da camiseta todos os dias. Eu tive um Saint Tropez que veio com riscos finos nos primeiros três meses, só de uso normal. A solução foi trocar por vidro safira, mas isso custa quase R$ 200 e só vale a pena se o relógio for realmente importante para você.
O tamanho ideal depende do seu pulso. A Lacoste faz modelos de 34mm até 44mm. Se seu pulso mede menos de 17cm de circunferência, fuja dos modelos maiores. Eles parecem brinquedo. Se mede mais de 19cm, os menores podem parecer subdimensionados. Use uma fita métrica, não chute. Também tem a questão do movimento. A maioria dos relógios Lacoste usa quartz japonês (Miyota ou Seiko). É confiável, preciso dentro de ±15 segundos por mês, e troca de bateria custa entre R$ 30 e R$ 80. Alguns modelos mais caros usam movimento automático suíço, mas aí o preço sobe para acima de R$ 2.000, o que já coloca a marca em território onde você pode encontrar Tissot, Seiko Presage ou mesmo Hamilton pelo mesmo valor.
O que esperar na prática
Eu mantive dois relógios Lacoste simultaneamente por cinco anos. Um Saint Tropez dourado e um Hydrogen preto. O dourado eu usava no trabalho, o preto nos fins de semana. Ambos funcionaram bem, ambos tinham problemas pequenos. O Saint Tropez parou de funcionar o ponteiro de segundos depois de dois anos. O Hydrogen entrou com umidade uma vez, porque eu pensei que ser à prova d'água significava poder tomar banho com ele. Não significa. A resistência à água da Lacoste varia conforme o modelo. Os Saint Tropez costumam ser IPX5, o que protege contra respingos, mas não contra imersão. Os Hydrogen chegam a 10 ATM, o que permite natação rasante. Eu já vi gente lavando louça com relógio de 10 ATM e reclamando que entrou água. O problema não é o relógio, é o entendimento do que "10 ATM" significa. Água corrente em temperatura ambiente não é o mesmo que imersão prolongada em piscina clorada.
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Outro ponto importante: a pulseira. A Lacoste usa courinho sintético em muitos modelos, que com o tempo fica pegajoso e escurece. Eu já passei álcool isopropílico para limpar, mas a solução real é trocar a pulseira. Opções de couro legítimo ou milanese (malha de aço) ficam melhor a longo prazo e custam entre R$ 80 e R$ 250 em lojinhas especializadas.
Vantagens e desvantagens honestas
Vantagem: o relógio branco da lacoste é versátil. Combina com camisa social, com camiseta, com bermuda. O design é sóbrio, sem exageros, e o logo discreto evita aquela sensação de estar ostentando algo que não condiz com sua realidade financeira. Desvantagem: a revenda é péssima. Um relógio Lacoste novo perde cerca de 40% do valor nos primeiros dois anos. Se você compra usado, tenta vender, e pede metade do que pagou, provavelmente vai desistir porque ninguém compra. Se o objetivo é investimento, esqueça. Se o objetivo é usar com gosto e sem pensar muito no dinheiro, funciona. A Lacoste também oferece garantia de dois anos, mas só cobre defeitos de fabricação, não danos por mau uso. Isso inclui troca de bateria? Não. Inclui troca de pulseira? Não. Inclui arranhões no vidro? Com certeza não.
Uma dica prática que aprendi: compre em lojas autorizadas, não em marketplaces genéricos. Já vi gente vender relógio Lacoste "novo" por metade do preço que vinha sem caixa, sem manual, e com número de série riscado. A Lacoste verifica autenticidade pelo número de série no site, mas esse processo demora e pode levar semanas. Se o vendedor pressiona para fechar rápido, desconfie.
Alternativas no mesmo faixa de preço
Por volta de R$ 800 a R$ 1.500, você encontra marcas como Fossil, Michael Kors, Emporio Armani, e até mesmo Seiko em linhas entry level. O Seiko SUR413P1, por exemplo, custa cerca de R$ 1.200, tem movimento automático, vidro safira, e pulseira de aço que vale muito mais a pena a longo prazo do que a pulseira sintética da Lacoste. A desvantagem do Seiko é que o design é mais voltado para entusiastas, não para quem quer algo discreto e pronto para o dia a dia corporativo. Já a Tissot PRX Powermatic 80, por R$ 2.500 a R$ 3.000, oferece automação, reserva de marcha de 80 horas, e construção que supera em muito a Lacoste no mesmo período de uso. O problema é que exige um investimento maior, e nem todo mundo tem essa disponibilidade.
O relógio branco da lacoste continua sendo uma escolha válida se você prioriza estética e praticidade. Basta entender o que está comprando, não esperar milagres, e manter uma rotina simples de limpeza e troca de bateria. O resto é questão de gosto pessoal.