Qual A Melhor Guitarra - Guitarra Tagima TG-520 vs Shelter vs Cort: Qual a Melhor Guitarra para ...
Guitarra Tagima TG-520 vs Shelter vs Cort: Qual a Melhor Guitarra para ...

Por que ninguém consegue responder essa pergunta sem ser idiota

A pergunta "qual a melhor guitarra" aparece todo santo dia em fóruns, grupos de Facebook e comentários do YouTube, e a resposta honesta é: depende de um monte de variáveis que a maioria dos gente que responde não leva em conta. Eu já tive gente mandando mensagem pra mim perguntando isso às 3 da manhã, e eu sempre respondia a mesma coisa antes de qualquer outra coisa. Qual é o seu orçamento? Que estilo você toca? Você está começando ou já tem experiência? A resposta muda completamente dependendo de três dessas variáveis. Se você tem duzentos dólares e quer tocar rock, uma Les Paul usada vai te deixar com pena e frustrado porque o braço é largo e o peso é insuportável. Se você tem mil dólares e quer tocar blues, uma Stratocaster não vai fazer justiça ao seu som porque o bridge fixo não dá aquele sustenido que você precisa. O problema real é que as pessoas tratam guitarra como se fosse um produto de supermercado, onde existe um item com melhor custo-benefício comprovado. Não existe. A Yamaha C40 de trezentos reais é a melhor guitarra que um iniciante pode comprar com trezentos reais, ponto. Mas isso não significa que ela seja boa. Significa que, naquele mercado específico, ela é a que menos vai te decepcionar. Já vi gente comprar uma Harley-Benton HC-50 por trezentos e tantos reais no Alemanha e dizer que era a melhor guitarra que já tocou. Eu toco nela. É uma guitarra de trêscentos reais. Ela é aceitável para o preço, mas chamar de "melhor" é exagero desnecessário.

qual a melhor guitarra para o seu caso específico

Primeiro passo: defina o que você vai fazer com o instrumento. Isso é mais importante do que marca, modelo ou preço. Eu tive um aluno que comprou uma Gibson ES-335 porque via o Jimmy Page usando uma e achava que era a guitarra perfeita pra ele. O cara tocava bossa nova. Uma semi-acústica com capture broad com aquelas placas de madeiras laminadas não é o instrumento certo pra aquele repertório. O som fica embrulhado, o feedback é um pesadelo em volumes altos, e o braço grosso da ES-335 não ajuda em nada pra digitacao delicada que a bossa exige. Ele vendeu a guitarra dois meses depois e comprou uma FenderTelecaster custom shop que usou até hoje. O equipamento errado é pior do que o equipamento barato. Segundo passo: olhe o braço. Isso é algo que muita gente ignora porque não sabe o que procurar. O perfil do braço — C, D, V, compound radius — define se você vai conseguir fazer um bend sem se machucar ou se vai precisar de três tentativas e uma dose consideravel de frustracao. Eu tenho uma Squier Classic Vibe '70s Jazzmaster com braço em V e radius de 7.25 polegadas. Para jazz, é perfeita. Pra rock, eu quase chorei na primeira semana tentando fazer um bend de meio tom que não saía afinado porque o braço era muito curve. Troquei por uma bridge Floyd Rose e um set de cordas mais finas, e o problema diminuiu bastante, mas nunca sumiu completamente. Isso é o tipo de detalhe que você só descobre tocando no instrumento.

Terceiro passo: entenda o que são pickups e como eles funcionam na pratica. Humbucker cancela ruído mas tira brilho. Single coil da brilho mas canta ruído. P90 é um meio-termo que parece simples mas tem caracteristica propria que ninguem consegue reproduzir igual. Eu já passei tres horas num loja tentando decidir entre uma Gibson Bumblebee e uma Lace Sensor num Stratocaster custom. Ambas eram boas. Ambas eram ruins pro que eu queria. No final, comprei uma Fishman Fluence Modern que é basicamente um humbucker ativo com onze configurações diferentes e funcionou pra praticamente tudo. O unico problema é que precisa de bateria e custa o triplo de um humbucker normal. Se voce nao tem pressao de grana, vai bem. Se tem, e não vai usar todas as configurações, é dinheiro jogado fora.

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Como escolher na pratica sem cair nas armadilhas

Vá a uma loja física e toque pelo menos cinco guitarras da mesma faixa de preço antes de decidir. Não confie em reviews da internet. Cada instrumento é unico. Duas Stratocaster Mexicanas do mesmo lote podem ter brilhos totalmente diferentes. Eu comprei uma Squier Affinity Series numa segunda mão por cento e cinquenta reais e a action estava tão alta que parecia que eu estava tocando uma harpa. Ajustei o truss rod e o saddle das selas, e ficou tocavel em dez minutos. Uma guitarra barata bem regulada é melhor do que uma guitarra cara mal regulada. Esse é o segredo que ninguem te conta. Evite comprar pelo nome da marca. Fender não é sinônimo de qualidade. G&L não é sinônimo de qualidade. Suhr não é sinônimo de qualidade. O que existe é consistencia de fabricacao, e marcas caras geralmente entregam mais consistencia, mas isso não significa que cada instrumento individual seja bom. Eu vi uma SuhrModernPlayer com trasteira desalinhada que precisou de uma remodelagem completa. Custou o mesmo que uma guitarra topo de linha de outra marca. O nome não protege contra defeitos.

Se o orçamento é apertado, considere instrumentos usados de marcas consolidadas. Uma Squier vintage modified, uma Epiphone Dot usada, uma Yamaha Pacifica — todas essas são portas de entrada razoaveis desde que estejam bem reguladas. Eu comecei com uma Yamaha FG800 usada que meu tio tinha dado pra mim. Tinha uma tarraxa folgada e o braço estava levemente torto. Consertei com um ajuste de truss rod e uma tarraxa nova de cem reais. A guitarra hoje toca melhor do que muitas novas que vejo por aí. O ponto é que investir em regulagem faz mais diferença do que investir em marca.

O que realmente define a qualidade de uma guitarra

Manutenção. Acabamento. Geometria do braço. Ação das cordas. Intonacao. Tudo isso importa mais do que o preço que você pagou. Uma guitarra de mil reais mal regulada soa pior do que uma de trezentos bem regulada. Eu gasto cerca de vinte minutos fazendo uma regulagem completa em qualquer guitarra nova que entro na bancada, e o resultado é sempre transformador. O tempo que eu economizo ajustando não compensa o dinheiro que eu gastaria em uma guitarra mais cara que provavelmente também teria esses problemas. Cordas também são subestimadas. Trocar o set original de fábrica por um jogo de Ernie Ball Slinky ou D'Addario NYXL faz mais diferença do que qualquer upgrade de hardware. Eu já vi gente gastar duzentos reais em captadores novos e não perceber diferença porque as cordas estavam dead há três meses. Troquei as cordas de uma Stratocaster que estava com som opaco e o instrumento ficou irreconhecivel. Duas horas depois, o mesmo guitarrista disse que a guitarra havia melhorado dramaticamente. Nada custou além de vinte reais em cordas novas.

Se você está literalmente começando do zero, uma Harley-Benton ST-20 ou uma Squier Affinity Series são opções sólidas que não vão te sabotar. Se já tem algum nível, investir num braço confortável e num setup profissional vale mais do que comprar a marca certa. Eu tenho colegas que juram que a Yamaha tem a melhor relacao custo-beneficio do mercado atualmente, e eles têm razão para instrumentos de entrada. Mas quando falamos de qualidade construtiva acima de mil dólares, a diferença entre marcas se reduz a preferencias pessoais de som e ergonomia, não a qualidade em si. O que eu posso afirmar com certeza é que a melhor guitarra é aquela que você consegue tocar sem frustração, que soa bem pro que você precisa, e que não te obriga a fazer ajustes constantes pra funcionar. Tudo o resto é detalhe que aparece depois de um tempo. Comece simples. Regule bem. Troque as cordas frequentemente. E pare de ouvir recomendações de gente que tocou uma vez em 2012 e acha que sabe de tudo.