Como usar pilhas AA recarregáveis na prática
A primeira coisa que você precisa entender é que pilha AA é recarregavel, mas nem toda pilha AA que você vê na prateleira é. As pilhas alcalinas comuns, aquelas de marca famosa com envoltório dourado ou prateado, não são feitas para recarga. Tentar recarregar uma pilha alcalina comum éARRISCADO — pode vazar, superaquecer ou até estourar. O que existe no mercado são pilhas AA recarregáveis de verdade, geralmente em duas químicas principais: níquel-metal hidreto (NiMH) e níquel-cádmio (NiCd). A NiMH é a que importa para o dia a dia.
pilha aa é recarregavel: o que preciso saber antes de comprar
Quando fui substituir todas as pilhas dos meus controles remotos e do teclado sem fio por recarregáveis, cometi o erro clássico de comprar as primeiras que encontrei no supermercado. Eram pilhas NiMH de 600 mAh pré-carregadas, daquelas que já vêm com carga na caixa. Funcionaram por duas semanas. Depois disso, o teclado passava meia hora ligado e já começava a cortar a conexão. A capacitância baixa significava que cada "clique" do driver consumia uma fração desproporcional da carga disponível. O que eu não sabia na época é que a maioria dos carregadores baratos que acompanham essas pilhas pré-carregadas simplesmente não têm capacidade de corrente suficiente para entregá-las à tensão correta. A solução foi trocar por pilhas de 2000 a 2500 mAh e um carregador separado com controle de corte automático. Comprei um modelo comdisplay de tempo e indicador de voltagem, daqueles que mostram a corrente real de entrada. O carregador básico que vinha junto custava onze reais. O carregador com display custava vinte e oito. A diferença no resultado era absurdamente visível.
O problema real com pilhas recarregáveis de baixa capacitância é que elas parecem funcionar bem em dispositivos de baixo consumo, como um controle de TV, mas desaparecem rápido em dispositivos moderados. Um mouse sem fio, uma lanterna LED potente, um brinquedo com motor — esses drenam a carga muito mais rápido do que você imagina. A tensão nominal de uma pilha NiMH é 1,2 volts, enquanto uma alcalina nova sai com 1,5 volts. Isso significa que, mesmo quando a NiMH está com 80% da carga, ela entrega menos voltagem. Alguns dispositivos simplesmente desligam antes de o conteúdo útil ter sido aproveitado, porque o circuito vê a queda de voltagem e interpreta como bateria fraca. Outra questão que passei despercebida por meses é o efeito memória, que é um mito propagado por quem confunde NiMH com NiCd. Pilhas de níquel-cádmio desenvolvem efeito memória de verdade se forem recarregadas sem antes descarregar completamente, repetidamente. Pilhas NiMH praticamente não sofrem desse problema. Não precisa zelar por ciclos completos de descarga. Pode colocar no carregador quando quiser. O que realmente danifica uma NiMH é o calor excessivo durante o carregamento. Se o carregador não tiver sensor térmico e deixar a pilha quente ao ponto de incomodar o dedo, está acontecendo algo errado.
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Também é importante saber que pilhas NiMH novas, mesmo as de marca reconhecida, costumam ter uma autodischarge significativa. Se você guardar uma pilha recarregada na gaveta por três meses, ela já pode ter perdido entre 15 e 30 por cento da carga. Existem versões low-self-discharge, como as Eneloop e similares, que retêm cerca de 70 a 85 por cento da carga após um ano parado na prateleira. Se o seu uso for esporádico, como um rádio portátil que só liga nos fins de semana, invista nessas. Se for uso intenso diário, qualquer NiMH de boa qualidade funciona. Para o carregador, evite os modelos que não informam a corrente de entrada. Carregadores sem informação técnica são aqueles que dizem "carregamento rápido" sem especificar miliamperes. Um carregador de 200 mA leva cerca de doze horas para carregar uma pilha de 2000 mAh. Um carregador de 500 mA leva cerca de quatro horas. Carregadores de 1000 mA ou mais podem danificar algumas pilhas mais antigas ou de qualidade inferior se ficarem ligados além da conta, porque o calor gerado dentro da célula acelera a degradação dos eletrólitos. Eu já vi uma pilha NiMH de marca desconhecida inchar depois de ficar num carregador de alta corrente por oito horas seguidas. O inchaço é permanente e a pilha perde metade da capacidade original a partir dali.
Um truque que uso para verificar se uma pilha NiMH ainda tem vida útil boa é testar a tensão em circuito aberto com um multímetro barato. Uma pilha bem carregada lê perto de 1,35 volt. Se ler abaixo de 1,1 volt sem ter sido usada há dias, provavelmente está degradada. O ciclo de vida útil de uma NiMH de qualidade varia entre mil e dois mil ciclos completos, dependendo da corrente de carga e da temperatura de operação. Pilhas de marcas conhecidas costumaam chegar perto dos dois mil ciclos. Pilhas genéricas de baixo custo raramente passam de quinhentos. Se o seu dispositivo exige voltagem mais próxima de 1,5 volt, como câmeras digitais mais antigas ou alguns brinquedos com motores sensíveis, considere manter alcalinas nesses casos específicos e usar recarregáveis apenas onde a diferença de tensão não incomoda. É um ajuste prático, não uma fraqueza das recarregáveis. O custo por uso de uma pilha NiMH de boa qualidade cai para cerca de cinco centavos por ciclo, enquanto uma alcalina de uso único custa entre trinta e cinquenta centavos e é descartada após um único ciclo.
Por fim, descarte correto também merece atenção. Pilhas NiMH podem ser recicladas, mas não devem ir para o lixo comum. Muitos pontos de coleta de eletrônicosam pilhas recarregáveis separadamente. Se tiver muitas pilhas acumuladas, procure uma loja de materiais elétricos ou um posto de coleta da prefeitura da sua cidade. O descarte em aterro comum libera metais pesados de forma lenta, e o impacto ambiental de uma pilha descartada incorretamente persiste por décadas.