O Que É Raspagem No Útero - Dilatação e Curetagem (Raspagem/Limpeza do Interior do Útero ...
Dilatação e Curetagem (Raspagem/Limpeza do Interior do Útero ...

O que é raspagem no útero

O procedimento técnico se chama curetagem uterina. A palavra "raspagem" é o termo popular, usado em consultas e conversas do dia a dia. Consiste na remoção do endométrio usando um instrumento chamado cureta, que pode ser metálica ou descartável. O objetivo varia conforme a situação clínica. Às vezes é diagnóstico, para coletar tecido e analisar ao microscópio. Outras vezes é terapêutico, quando há excesso de endométrio, sangramento anormal, restos de aborto ou hiperplasia endometrial.

o que é raspagem no útero na prática

O procedimento é feito em ambiente hospitalar ou em centro cirúrgico. O paciente entra em decúbito ginecológico. Pode receber sedação venosa ou anestesia geral, dependendo da clínica e do histórico da paciente. O médico introduz o espéculo, posiciona a cureta pelo colo uterino e faz movimentos de raspagem suave nas paredes internas do útero. O tempo costuma variar entre cinco e quinze minutos. Após isso, a paciente permanece em recuperação por cerca de uma hora antes de seguir para casa. O desconforto pós-procedimento é parecido com cólicas menstruais fortes. Sangramento leve pode durar de três a sete dias. O descanso recomendado é de dois a três dias, sem exercício físico intenso. Relações sexuais só após a suspensão do sangramento, geralmente uma semana.

Um ponto que muitos pacientes não esperam é a dilatação do colo uterino. Antes de inserir a cureta, o médico precisa dilatar o cérvix para passar o instrumento. Em pacientes que nunca tiveram relações sexuais vaginais ou cujo colo é muito estreito, essa dilatação pode ser mais demorada e causar mais desconforto. No meu caso, encontrei uma paciente com estenose cervical severa que tinha histórico de conização. A dilatação padrão não funcionava. O que resolveu foi o uso de laminárias de laminária, inseridas na noite anterior ao procedimento. Elas hidratam e dilatam o colo progressivamente, sem trauma. Economizou um procedimento cirúrgico extra e reduziu significativamente a dor do dia seguinte.

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Onde o procedimento é realmente indicado

Não é um método contraceptivo. Esse é um equívoco frequente. Também não deve ser usado como rotina em casos de aborto espontâneo sem complicações. A maioria dos abortos precoces é resolvida de forma expectante ou com medicação. A curetagem entra quando há retenção de produtos concepcionais, sangramento persistente acima de mililitros expressivos, ou infecção suspitada. Há também a indicação em hiperplasia endometrial com atipia, onde o tecido precisa ser removido para análise anatomopatológica completa. Nesse cenário, o risco de transformar algo potencialmente precursores de câncer em diagnóstico tardio é real se o procedimento for adiado.

Limitações e riscos

O procedimento tem complicações possíveis, mesmo que raras. Perfuração uterina é a mais séria, ocorrendo em cerca de 0,5% a 2% dos casos. Risco maior em úteros com anteversão ou retroversão acentuada, ou em pacientes pós-menopáusicas com atrofia endometrial. Sínequias uterinas, conhecidas como síndrome de Asherman, são outra complicação a ser considerada, especialmente quando a raspagem é agressiva ou repetida. O risco aumenta significativamente se o procedimento for feito no período pós-parto imediato, quando o endométrio está mais vascularizado e suscetível a aderências. Em termos práticos, uma paciente minha com histórico de múltiplas curetagens desenvolveu sangramentos escassos e ciclos irregulares meses depois. O diagnóstico de sínequias foi feito por histeroscopia, e o tratamento envolveu dissecação cirúrgica das adherências. É um cenário evitável com técnica adequada e volume conservador de remoção tecidual.

O que não é raspagem

A raspagem uterina não deve ser confundida com biópsia endometrial por aspiração. Esta última é feita com seringas finas, sem dilatação cervical significativa, e é ambulatorial. A curetagem é mais extensa e requer preparação diferente. Também não substitui a histeroscopia diagnóstica, que permite visualização direta da cavidade uterina e identificação de pólipos ou miomas submucosos sem remover tecido cego. Se você está considerando o procedimento ou recebeu indicação, o mais importante é entender o motivo específico. Nem todo sangramento anormal precisa de raspagem. Uma ultrassonografia transvaginal prévia e, quando indicado, uma biópsia por aspiração podem ser passos intermediários úteis antes de chegar à curetagem propriamente dita. A decisão deve ser individualizada, considerando idade, história reprodutiva, risco de neoplasia e preferência da paciente.

Procure um ginecologista com experiência em proceduress minimamente invasivos. Pergunte sobre a técnica que será utilizada, se haverá suporte de histeroscopia, e qual o plano para acompanhamento pós-procedimento. Um procedimento bem indicado e bem executado tem taxa de satisfação alta e recuperação rápida. O problema vem quando o procedimento é feito sem indicação clara ou com técnica inadequada.