A verdade sobre encontrar o melhor gin do mundo
O mercado de gins explodiu nos últimos anos. Hoje existem mais de duas mil marcas registradas só no Brasil, e a maioria das pessoas que pergunta isso está simplesmente perdida entre opções cara e meia. A resposta curta é: não existe um único melhor gin do mundo. A resposta honesta é mais complicada, e a maioria dos fabricantes prefere que você não pense muito sobre isso. Eu comecei a beber gin com certa regularidade por volta de 2015, quando ainda dava para comprar Hendrick's e Monkey 47 sem pagar preço de importação inflacionada. Desde então, já testei literalmente centenas de marcas, algumas por engano em bares, outras propositalmente. O que eu vou te dizer aqui não vem de degustações em eventos de marketing. Veio de garrafas compradas no supermercado, de erros de mixagem, de noites em que eu precisava de algo simples e funcionava na hora.
O que realmente define o melhor gin do mundo
O fator número um que a maioria dos iniciantes ignora é o processo de destilação. Gin feito em alambique de batelada (pot still) tende a ter mais corpo e características botânicas mais pronunciadas do que aquele feito em coluna de destilação contínua. Isso não é uma regra absoluta, mas é suficiente para eliminar quase metade das opções na prateleira se você procurar por essa informação. A frase "melhor gin do mundo" aparece em rótulos porque todo mundo quer vender, mas o processo conta mais do que o marketing no vidro. Outro detalhe técnico que pouca gente leva a sério: a juniperus communis, ou zimbro, deve ser o primeiro ingrediente list na composição. Quando ele desce para o terceiro ou quarto lugar, o gin simplesmente não cumpre sua função básica. Já vi gente reclamando que um gin "não tem gosto de gin" e não perceber que o zimbro estava em quarto lugar numa lista com mais de vinte botânicos. Isso acontece frequentemente com produtores que tentam criar gins frutados ou florais e acabam esquecendo o fundamento.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Como escolher na prática
Se você vai a um bar ou a uma loja e quer fazer uma escolha informada, aqui está o que eu faço. Primeiro, leia o rótulo. Não o marketing do frente, a lista de ingredientes no verso. Zimbro precisa estar no início. Depois, verifique se há menção ao método de produção. Gin infuso (onde os botânicos ficam em contato com o álcool por horas ou dias, sem destilação separada) é diferente de gin destilado (onde os aromas são extraídos através do vapor durante a destilação). Ambos podem ser bons, mas produzem resultados diferentes e exigem expectativas diferentes. Um problema que eu enfrentei pessoalmente aconteceu há uns dois anos. Eu comprei um gin alemão de uma quinta destilaria artesanal que tinha avaliações excelentes em diversos sites. O produto era bom, sem dúvida. Mas quando eu tentei fazer um classic Dry Martini com ele, o resultado foi desastroso. O gin tinha notas tão dominantes de flores e especiarias que o coquetel virou algo doce e confuso, completamente fora do perfil esperado. A solução foi simples: eu passei a usar esse gin apenas em drinks onde os outros ingredientes pudessem competir com a complexidade botânica, como um French 75 ou um gin tonic com tônica artesanal e citrus bem presente. O gin em si não era ruim. Era eu que estava usando da forma errada.
Custo-benefício real: o que vale a pena
Existe uma faixa de preço onde a qualidade percebida supera amplamente o custo. Gins entre trinta e cinquenta reais no Brasil costumam oferecer o melhor retorno. Acima disso, você está pagando principalmente pela embalagem, pela história e pela escassez artificial. Abaixo disso, o risco de cortes na matéria-prima aumenta consideravelmente, e muitos desses gins baratos usam essências sintéticas em vez de destilação real com botânicos naturais. As marcas que eu recomendo testar primeiro, na ordem de acessibilidade e consistência, são: Beefeater, Tanqueray, Bombay Sapphire, Monkey 47 (se encontrar preço justo), Hendrick's, e várias opções brasileiras como Satai, Laranjinha e algumas produzidas no sul do país que têm surpreendido pela qualidade. O gin nacional brasileiro merece atenção especial porque muitos produtores aqui têm acesso a botânicos que simplesmente não existem na Europa, como cupuaçu, açaí e frutas cítricas tropicais.
O verdadeiro melhor gin do mundo é aquele que você gosta e que funciona para o que você quer fazer com ele. Nononsense.