Configurando uma máquina de solda para metalon na prática
Metalon é uma chapa galvanizada de alta resistência usada em estruturas de drywall, divisórias e forros. Soldar esse material pede equipamento e técnica específicos, senão você fura a peça, perde o zinco e quebra a proteção contra corrosão em dias. O que vou descrever aqui é o que funciona no dia a dia, com os erros que já vi acontecerem e as soluções que funcionaram.
Escolhendo a maquina de solda para metalon
A maioria dos profissionais que trabalha com metalon usa máquina MIG/MAG (com arame contínuo) ou TIG para peças finas. Para perfis estruturais de metalon, a opção mais comum e prática é o MIG com gás CO2 ou mistura M21 (80/20). O arame mais usado é o ER70S-6, com diâmetro de 0,8 mm ou 1,0 mm. Para chapas mais grossas acima de 2 mm, sobe para 1,2 mm. Tensão e amperagem dependem da espessura. Para metalon padrão de 0,95 mm a 1,2 mm, trabalho entre 15 e 25 amperes. A tensão de soldagem varia de 16 V a 20 V. Se usar 30 A num perfil de 1 mm, vai queimar no segundo instante. A máquina precisa ter regulagem fina de voltagem e velocidade de envio de arame. Inversora MIG de 150 A a 200 A é suficiente para a maioria dos serviços.
Preparação antes de ligar a máquina
Limpe a superfície do metalon. Zinco velho, tinta ou óleo alteram a solda e geram porosidade. Passe uma lixa ou escova de aço na área de solda. Use luva de raspa e óculos de solda com filtro shade 11 a 13. Máscara PFF não substitui o escudo facial para solda MIG. O gás precisa ser direcionado corretamente. Bocal de cobre ou cerâmico, diâmetro 14 mm é o padrão. Se o bico estiver gasto ou com respingos internos, a arco instável e a solda fica irregular. Troque quando o diâmetro interno passar de 18 mm. Tocha MIG com cabo de 2,5 m a 3 m reduz movimentos desnecessários no dia a dia.
Distância entre bico e peça (stick-out) deve ficar entre 10 mm e 15 mm. Se passar de 20 mm, o arame derrete antes de chegar à poça e a penetração cai. Esse erro é mais comum do que parece.
Parametrização inicial e ajuste em campo
Comece com base na tabela do fabricante do arame, mas ajuste na prática. Faça um teste num pedaço sobrando do mesmo metalon. Observe a poça de fusão. Se o arco espirrar muito, a tensão está alta ou o stick-out está grande. Se a solda não fundir, diminua a voltagem ou aumente a velocidade de arame. Para uma junta de topo em metalon de 1 mm com arame 0,8 mm, configure algo em torno de 17 V e 14 m/min de envio. Para junta de arquivo em chapa de 1,2 mm com arame 1,0 mm, vá de 19 V a 21 V e 16 m/min a 18 m/min. Essas são bases, não receitas fixas. Cada máquina e cada lote de gás se comporta diferente.
Técnica de passe e posicionamento
A técnica mais comum é o passe em puxada, com a tocha inclinada cerca de 10° a 15° na direção do avanço. Mantenha ângulo constante. Não levante e baixe a tocha o tempo todo. Isso quebra a atmosfera do gás e a solda oxida. Para uniões em cantoneira, faça um passes de fixação a cada 2 cm a 3 cm antes de fechar o cordão. Metalon é fino, então o calor acumula rápido. Puxar o passe completo de uma vez num perfil de 1 mm quase sempre causa empenamento. Faça passes curtos, deixe esfriar entre eles. Tempo de resfriamento varia, mas costuma ser de 30 segundos a 60 segundos para perfis pequenos.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Se precisar de penetração maior em junta de canto ou de reforço, use passe de raiz seguido de passe de cobertura. Raiz com 0,8 mm, cobertura com 1,0 mm. Sempre limpe escoria e respingos entre passes.
Problema real que encontrei e solução
Em um serviço de forro com metalon U100x22, estava usando CO2 puro para economizar gás. A solda ficava porosa e os cordões eram irregulares. O cliente cobrava defeito. Troquei para mistura M21 e diminuí o diâmetro do arame para 0,8 mm. A porosidade sumiu em dois testes. A velocidade de envio também caiu de 18 m/min para 14 m/min porque a mistura protege melhor o arco. O resultado foi cordão mais liso e menor respingo. Outro problema recorrente: soldar metalon já pintado. A tinta queima, gera fumaça tóxica e a solda cola no bico. Li o pedaço, passaram a lixa orbital com grão 80 e a sequência voltou ao normal. Nunca tente vender sobre tinta. O zinco e a pintura juntas danificam a junta permanentemente.
Pegadinhas que ninguém conta
Não use terra do quadro de solda em perfis galvanizados sem proteção. O contato direto gera corrosão galvânica em pouco tempo. Use graxa antircorrosiva nos pontos de contacto ou aplique selador após a solda. Soldar em ambiente com corrente de vento é pedir problema. O gás sai da área de proteção e a solda oxida. Se precisar trabalhar ao ar livre, monte uma barreira simples com papelão ou chapas. Economiza refações.
Armazenamento de arame. Se o rolo ficar exposto à umidade, o arame oxida e a solda fica com inclusões. Mantenha em local seco e feche a embalagem após o uso.
Quando esta configuração não funciona
MIG com metalon muito fino abaixo de 0,8 mm não é ideal. A penetração fica excessiva em relação à espessura e a peça deforma. Nesse caso, a alternativa é solda TIG com helio ou argônio puro, ou então usar rebites e perfis de fixação mecânica. Também não adianta insistir em CO2 puro para chapas finas. A mistura de gás faz diferença real na estabilidade do arco. Se o perfil tiver revestimento zincado muito grosso, a solda vai borbulhar e expulsar zinco. Nesse cenário, lixe o zinco da zona de solda antes de iniciar. É trabalho extra, mas evita retrabalho.
maquina de solda para metalon na rotina de obra
No dia a dia, o que define a produtividade não é só a máquina, mas o conjunto: gás correto, arame adequado, preparo da superfície e sequência de passes. Um operador experiente consegue fechar uma junta de metalon de 1 mm em cerca de 2 minutos, incluindo limpeza e ajuste. Sem preparo, leva o dobro e ainda deixa a peça inutilizável. A manutenção preventiva também entra nessa conta. Limpe o bico tocha após cada 4 horas de uso, troque o gás quando a pressão cair e verifique o cabo de massa. Pequenos descuidos geram soldas ruins e tempo perdido.
Se quiser especificar uma máquina para comprar, procure modelos com regulagem digital de voltagem e velocidade de arame, entrada para gás M21 e bico compatível com arame 0,8 mm e 1,0 mm. Marcas conhecidas no mercado brasileiro oferecem essas opções. O importante é ter controle preciso dos parâmetros, senão o resultado fica ao acaso.