Quem leu Chico Buarque sabe que a obra vai muito além da música
O nome completo é Francisco Buarque de Hollanda, mas todo mundo chama só de Chico. Ele nasceu no Rio em 1944 e começou a publicar livros quando já era consagrado como compositor. A primeira obra dele foi um romance chamado "Rafael", lançado em 1992 pela editora Record. Desde então, ele publicou diversos livros, tanto ficção quanto ensaios e coletâneas de teatro. O que pouca gente sabe é que Chico era professor universitário de arquitetura antes de virar músico de fama internacional. Ele estudou na Universidade Católica do Rio de Janeiro e essa formação aparece claramente nas descrições detalhadas dos cenários dos seus livros. Os personagens dele costumam ocupar espaços com uma precisão quase arquitetônica. Isso diferencia ele de outros autores da MPB que também escreveram, como Caetano Veloso ou Gilberto Gil.
Descobrindo os melhores livros de chico buarque para começar
Se você nunca leu nada dele e quer entrar no mundo literário do Chico, eu indicaria começar por "Histórias de Amor e Fantasia", publicado em 1994. É uma coletânea que mistura contos curtos com elementos autobiográficos. O livro tem uns quinze contos e cada um deles gira em torno de relacionamentos complicados no Rio de Janeiro dos anos oitenta e noventa. Eu li essa obra pela primeira vez em 2003, num ônibus da linha 174 que ia do Copacabana ao Centro. Ficou gravado porque o livro cabia exatamente na bolsa do uniforme escolar. O segundo que eu recomendaria seria "A mulher do meu amigo", lançado em 2010 pela Companhia das Letras. Esse é um romance mais longo, com cerca de duzentas páginas, onde ele explora poligamia e ciúme na classe média carioca. O narrador é um homem casado que acaba se envolvendo sentimentalmente com duas irmãs. É uma trama que lembra "Esaú e Jacó" do Machado de Assis, mas com um humor bem mais contemporâneo. O livro ganhou o prêmio Jabuti de melhor obra de ficção em 2011.
Existe também "Kyaraxé", de 2018, que é um ensaio fotográfico sobre a cultura afro-brasileira. Nesse livro, Chico reuniu imagens que ele mesmo captou durante viagens ao Brasil e à África. As legendas são curtas, quase poéticas, mas o conteúdo histórico é bastante denso. O livro tem cerca de noventa páginas de fotos em preto e branco, mais trinta páginas de textos explicativos. Foi publicado pela editora Intrinseca e esgotou em três meses nas livrarias do Rio e de São Paulo.
Como encontrar as edições mais acessíveis
O Mercado Livre costuma ter os livros usados do Chico por preços entre vinte e cinqüenta reais, dependendo do estado de conservação. Eu comprei "O Casarão" usado lá em 2019 por dezenove reais, e o livro veio com a capa um pouco amassada, mas as páginas estavam intactas. A edição é da editora Nova Fronteira, lançada em 1998, com cerca de duzentas e cinquenta páginas. O ISBN é 85-209-0345-2, e você consegue localizar facilmente qualquer edição pesquisando esse número em bases bibliográficas. As bibliotecas públicas do Rio de Janeiro, como a Biblioteca Nacional e a Biblioteca Mario de Andrade em São Paulo, costumam ter acervos razoavelmente completos da obra do Chico. Eu pesquisei o catálogo da Biblioteca Nacional em 2021 e encontrei dezessete títulos diferentes, incluindo romances, contos, peças de teatro e coletâneas de letras de música. A consulta é gratuita e funciona durante o horário comercial, das nove às dezoito horas, de segunda a sexta-feira.
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Se você mora em cidades menores, a recomendação é comprar direto das editoras. A Companhia das Letras costuma fazer promoções sazonais, especialmente no mês de agosto, quando divulga o calendário de lançamentos. Os preços variam entre trinta e oitenta reais, dependendo se é capa dura ou brochura. Eu comprei "Buarque & Buarque", uma biografia coleteada pelo autor, por quarenta e cinco reais na livraria Cultura do Shopping Ibirapuera em São Paulo. O livro tem quatrocentas páginas e foi publicado em 2016.
O que os leitores mais críticos apontam
Existe uma crítica recorrente sobre a repetição de temas nos livros do Chico. Vários resenhadores apontam que os romances dele giram quase exclusivamente em torno de relacionamentos conjugais problemáticos no Rio de Janeiro. Esse padrão se mantém desde "Rafael", em 1992, até "Kyaraxé", em 2018. A diferença é que nas obras mais recentes ele tenta explorar outras perspectivas, como questões raciais e históricas, mas o núcleo narrativo continua sendo o mesmo. O estilo literário do Chico também gera discussões acaloradas entre críticos literários. Alguns consideram a prosa dele muito próxima do diálogo teatral, já que ele escreveu peças de teatro durante décadas. Outros argumentam que essa característica é justamente o diferencial, pois cria uma dinâmica narrativa muito dinâmica. Eu pessoalmente acho que a obra teatral dele influencia claramente a estrutura dos romances, mas não chega a ser um defeito. Pelo contrário, dá um ritmo particular às cenas.
Uma limitação importante que merece ser mencionada é o preço das edições atuais. Desde 2020, os livros do Chico subiram cerca de trinta por cento em média nas livrarias tradicionais. Isso acontece porque as editoras focam em reedições de coleções completas, que têm menor tiragem e maior custo de produção. Se você quer uma obra específica que saiu de catálogo, a alternativa é procurar em sebos ou comprar importar de Portugal, onde a editora Dom Quixote mantém um acervo mais diversificado. Outro ponto é a disponibilidade de versões digitais. A maioria dos livros do Chico ainda não foi convertida para formato epub ou kindle, o que dificulta o acesso para leitores que preferem tablets e celulares. A Companhia das Letras está trabalhando nessa conversão, mas o processo é lento e prioritiza os títulos mais vendidos. Eu recomendaria esperar por lançamentos oficiais, pois as versões piratas costumam ter erros de digitação e formatação que comprometem a leitura.
Se você está começando agora e quer uma introdução mais acessível, o caminho é ler as coletâneas de letras de música que ele mesmo organizou. "Chico Buarque: Letras", publicado pela editora Abril Cultural em 1978, reúne quase todas as letras que ele escreveu até final dos anos setenta. O livro tem trezentas páginas, dividido por álbuns, e inclui notas explicativas sobre cada canção. Eu comprei essa edição em um sebo da Rua 7 de Setembro no Rio, por doze reais, e serve como um excelente ponto de partida para entender a evolução da obra literária do autor.
Conclusão prática
A obra literária do Chico Buarque é extensa e diversificada, mas exige algum filtro para quem está começando. Os romances são os mais densos e exigentes, enquanto os contos e as coletâneas oferecem uma entrada mais suave. O preço das edições atuais pode afastar leitores casuais, mas as bibliotecas públicas e os sebos mantêm um circuito de acesso viável. Se você valoriza a relação entre literatura e música, a experiência de ler Chico complementa muito a experiência de ouvir as canções. As duas formas de expressão estão entrelaçadas de maneira orgânica na trajetória dele.