O que realmente importa na hora de escolher uma lente para camera canon
Antes de abrir a caixa de qualquer lente, a primeira coisa que eu faço é pegar o corpo e ver qual mount eu tenho. Parece óbvio, mas muita gente compra o RF 24-70mm f/2.8 S thinking que "canon é canon" e depois descobre que o EF não encaixa. Se você tem um EOS 90D, 80D ou qualquer DSLR com mount EF, esquece tudo que é RF. Aí a lista se reduz: EF 24-70 f/2.8L III, EF 70-200 f/2.8L IS II, EF 100mm f/2.8 Macro, EF 50mm f/1.4 USM. Se é um R5, R6, R8 ou R10, aí sim entra o S-series da RF e o RF 50mm f/1.2 L, que é uma peça de outro nível óptico. O método prático que funciona é este: defina o uso 70% do tempo. Não adianta querer cobrir "de 16 a 400mm num corpo só". Pegue dois intervalos que você realmente usa. Se é casamentos e eventos fechados, um 35mm f/1.4 ou 50mm f/1.2 resolve 80% dos planos, e você adiciona um 85mm f/1.2 pra retrato. Se é fotografia de rua, o 35mm f/1.4L em RF tem aberrações cromáticas residuais tão baixas que você literalmente não precisa corrigir nada no Lightroom, enquanto o EF 35mm f/1.4L de 2008 ainda pede correção de vias cruzadas até f/4.
Entendendo o que "lente para camera canon" significa na prática de compra
A designação "L" significa que a Canon usa elementos UD (Ultra-fluorite) e asl, o que reduz as aberrações laterais em comprimentos focais mais longos. Mas aqui vai o que quase ninguém percebe: uma lente EF 70-200mm f/4L IS II USM entrega nitidez no centro praticamente idêntica à versão f/2.8L em f/5.6 pra fora. A diferença real entre os dois está entre f/2.8 e f/4, ou seja, nos 2 stops de abertura que você não vai usar fotografando paisagem ou natureza. Pagou 35% a mais por 2 stops que talvez use em 5% dos seus tiros. A f/4 IS II pesa 60g a menos e tem IS de 5 stops, que na prática te dá 1/8s segurando a mão em 200mm, algo que a f/2.8 com 4 stops não alcança. Outra pegadinha: o RF 50mm f/1.8 tem estabilização óptica embutida. O RF 50mm f/1.2 L não tem IS. Parece contraintuitivo, mas a Canon colocou IS no f/1.8 porque o f/1.2 já tem um elemento óptico tão corrigido que a distorção de imagem do IS causaria mais dano que benefício nos 90% dos frames onde você trava o foco. Se você fotografa vídeo com o 50/1.2 em luz fraca, vai ter que depender do IBIS do corpo ou tripé, sem exceção.
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Um problema específico que me custou dois dias de post
Tive um lote de três EF 100mm f/2.8L Macro que começou a apresentar hunting de AF só no anel interno, entre 20cm e 35cm de distância de foco. O problema era o USM no motor, mas a Canon só reconhecia como defeito se a lente fosse testada no 5D Mark III, e não no 90D. Fui a uma assistência não autorizada, o técnico fez um teste de corrente no motor ultrassônico com um multímetro e confirmou que a rotação do rotor estava em 6V contra 9V especificado. Trocaram o motor por um remanufaturado de outra unidade e funcionou por uns quatro meses. Aí voltou. No fim, a solução real foi passar pra RF 100mm f/2.8 L Macro IS, que tem o sistema de AF por motor elétrico linear, sem USM pra falhar. Não tem mais aquela sensação de "tremor interno" que o USM antigo tinha em ambientes quentes acima de 38°C. O custo total do sufoco foi uns R$ 2.100 na lente RF, mas evitou perder mais dois casamentos com a Macro travando no bokeh.
Onde a escolha realmente quebra
Se você está vindo de um corpo com sensor APS-C (o R7, R10, Rebel série), as lentes EF com 1.6x crop mudam a matemática inteira. O EF 100mm f/2.8 Macro vira 160mm, que ainda é ótimo pra close-up, mas o RF 100mm em crop vira 160mm e perde aquelereach de macro "quase-macro" em 1:1 que você tinha antes. Não faz sentido comprar a RF 100mm se você vai rodar em crop a 90% do tempo. No caso, o EF-S 60mm f/2.8 Macro IS USM, uma lente velha de 2003, continua sendo a opção mais barata (roda por uns R$ 800 usada) e entrega 1:1 em APS-C com 96mm de distância mínima de trabalho, que pra insetos e documentos é o que interessa. Um detalhe que poucos fabricantes documentam bem: a transmissão de dados EXIF entre a lente EF e o corpo via adaptador RF a EF (RF-EF) tem um delay de 120ms no handshake de distância de foco. Pra foto estático, irrelevante. Pra vídeo com focus-puller usando Follow Focus digital, esses 120ms aparecem como um "atraso" no anel de pull. Se você trabalha em cine com rig, o ideal é rodar 100% em RF nativo ou aceitar o EF com pull manual. Não existe workaround de firmware.
Por fim, a questão do peso acumulado. Três lentes RF S-mount (24-70 f/2.8, 70-200 f/2.8, 85 f/1.2) pesam 5,4 kg juntos. No R5 com grip, somados passam de 4,8 kg só na mão. O IS das lentes RF S usa o gimbal do corpo, então se você desliga o IBIS pra economizar bateria, o IS das lentes também desliga. É binário, não há meio-termo. Se você grava vídeos longos em eventos, considere que 4,8 kg sem estabilização nas mãos depois de duas horas vai gerar shake em qualquer plano de 200mm f/2.8 a 1/60s. Na prática, tripé de 3 pernas ou monopé viram obrigatórios acima de 15 minutos de gravação contínua com esse kit.