Usando dolomita e argila branca na cerâmica — o que funciona e o que dá errado
A escolha entre dolomita e argila branca depende basicamente do que você quer que o corpo cerâmico faça. Não é uma questão de qual é melhor no geral, mas de qual se adapta ao seu processo. Vou explicar como cada uma se comporta na prática, com os problemas que eu já vi acontecerem.
Quando escolher dolomita ou argila branca no seu cuerpo cerámico
A dolomita é CaMg(CO3)2 — carbonato de cálcio e magnésio. Ela atua como fundente em temperaturas acima de 900°C, liberando CO2 e formando óxidos que baixam a temperatura de vitrificação. O problema é que ela é reativa: se você adiciona muita, o corpo pode rachar na secagem porque a liberação de gases durante a cocção cria microbolhas. Eu já perdi uma peça inteira assim — adicionei 12% de dolomita numa receita de porcelana fina e, na queima, a peça estourou no forno. O segredo é não passar de 8% no corpo, preferencialmente moída bem fina, abaixo de 45 mícrons. A argila branca, ou caulim, émente Al2Si2O5(OH)4. Ela é refratária, tem baixo índice de contração e confere brancura ao produto final. Diferente da dolomita, a argila branca não funde — ela estabiliza o corpo. O problema que muita gente não leva a sério é a pureza. Argila branca barata muitas vezes tem traços de ferro que amarelram o cozimento. Eu aprendi isso na marra: comprei um caulim "branco" por um preço bom e a peça ficou com tom levemente acinzentado depois da queima a 1260°C. A solução foi testar antes: fazer plaquetas de teste com a amostra e queimar junto com sua receita padrão.
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A dolomita ou argila branca pode ser usada combinadas? Sim, e esse é um ponto que muita gente erra. A combinação clássica é caulim como base plástica, dolomita como fundente, e quartzo como esqueleto. A proporção típica num corpo de pedra (stoneware) seria algo como 35% caulim, 15% dolomita, 25% quartzo, e 25% de uma argila plástica como a ball clay. Mas aí entra uma coisa que não está em nenhum manual: a dolomita precisa ser pré-calcinada se você quer controle consistente. Dolomita crua libera CO2 de forma descontrolada durante a queima, e isso causa defeitos. Pré-calcinar a 900°C por uma hora resolve 90% dos problemas de bolhas e rachaduras associados à dolomita. O outro detalhe prático é a finura de moagem. Dolomita crua moída grosseiramente (>100 mícrons) age como agregado inerte, não como fundente. Ela só vai reagir como fundente quando estiver finamente moída. Já vi gente reclamando que a receita não estava funcionando quando o problema era simplesmente a dolomita que tinha comprado estar muito grossa. Uma peneira de 200 mesh (75 mícrons) é o mínimo que eu uso. Abaixo disso, melhor ainda.
Se o seu objetivo é peças de alta temperatura como porcelana, a argila branca é mais crítica do que a dolomita. Você precisa de um caulim com teor de Fe2O3 abaixo de 0,5%. Acima disso, o branco vira creme. dolomita nesse contexto serve basicamente para baixar o ponto de vitrificação. Se você está fazendo louça de cozinha ou revestimento, onde a temperatura não passa de 1200°C, a dolomita ganha mais relevância porque é mais eficiente como fundente nessa faixa. Argila branca pura não vitrifica bem abaixo de 1250°C — fica arenosa. Uma armadilha comum é achar que substituir argila branca por dolomita em grandes proporções vai dar o mesmo resultado. Não dá. A argila branca dá plasticidade e estrutura; a dolomita não. Se você tirar toda a argila branca e colocar dolomita no lugar, o corpo vai perder trabalhabilidade e van a encolher de forma irregular na secagem. É uma troca que não funciona, e eu vi isso destruir lotes inteiros de produção.