O problema das marcas de creme dental abrasivo e como resolver na prática
A maioria dos cremes dentais vendidos no Brasil tem índice de abrasividade (RDA) entre 70 e 100. Isso não é problema para esmalte saudável, mas quando o usuário já tem desgaste cervical, sensibilidade ou restaurações antigas, esse número sobe e vira dor de cabeça. O RDA acima de 100 começa a remover alongamento de esmalte de forma mensurável com o uso diário. O indicado para esses casos é procurar formulações com RDA abaixo de 70, que são classificadas como pouco abrasivas.
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Dentro do mercado brasileiro, as opções mais consistentes se dividem em dois grupos. O primeiro é o das linhas especiais de controle de sensibilidade, que costumam ter sílica precipitada ou fosfato de cálcio como abrasivo secundário, com RDA controlado. O segundo é o das marcas focadas em odontologia estética e pacientes com retração gengival, onde a abrasividade é propositalmente reduzida para não agravar o desgastamento radicular. As marcas que se destacam nessa categoria incluem Neoss, que tem a linha com tecnologia de redução de manchas sem abrAsivo agressivo, e Omosense, focada em Sensibilidade com base em nitrato de potássio e sílica de baixa abrasividade. A Oral-B tem a linha Sensitive, que também opera dentro de parâmetros mais brandos, mas o RDA varia conforme a versão do produto. Para uma lista mais completa de cremes dentais não abrasivos disponíveis no varejo brasileiro, o site da ABIOCRIMP (Associação Brasileira de Indústria de Produtos de higiene Bucal) mantém um banco de dados técnico com as especificações de cada fabricante.
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O que muita gente não leva em conta na hora de escolher é que o termo "não abrasivo" é relativo. Nenhum creme dental é completamente isento de partículas mecânicas, porque sem qualquer abrasivo o produto não limpa a placa bacteriana de forma eficiente. O ideal é buscar aquele com RDA entre 40 e 70, que oferece limpeza sem comprometimento do esmalte já sensibilizado. Produtos que prometem "clareamento sem abrasivo" geralmente substituem a sílica por enzimas ou compostos químicos dissolventes de mancha, o que funciona para superficiais, mas não substitui a ação mecânica em casos de calcificação mais resistente. Um detalhe prático que aprendi na clínica: muitos pacientes chegam reclamando de sensibilidade pós-escovação e percebem que estão usando um creme dental de branqueamento, que quase sempre tem RDA acima de 120. A simples troca para uma fórmula com RDA inferior a 70 já resolve o quadro em 15 a 20 dias, sem necessidade de procedimento adicional. O cuidado é que o efeito de "limpeza mais suave" pode dar a impressão errada de que o produto não está funcionando, mas isso é apenas a sensação inicial. A remoção de placa continua ocorrendo, só que de forma mais conservadora em relação ao tecido dentário.
Outro ponto que merece atenção é a diferença entre os abrasivos usados nas fórmulas. A sílica hidratada é a mais comum e pode ser processada de forma mais ou menos agressiva dependendo do tamanho das partículas. O fosfato de cálcio, por sua vez, é naturalmente mais brando e se dissolve parcialmente durante a escovação, liberando íons que podem ajudar na remineralização. Marcas como Curaprox e Ecosmine utilizam esse tipo de abordagem e têm apresentado resultados bons para pacientes com alta sensibilidade, ainda que o preço seja significativamente mais alto que as linhas convencionais. Se o objetivo é manter a saúde bucal sem agredir o esmalte, a mudança para uma marca com RDA controlado é a intervenção mais direta. A escolha entre as marcas disponíveis deve considerar o perfil do paciente, o nível de sensibilidade atual e, se possível, a confirmação do RDA nas fichas técnicas do fabricante. Produtos de marcas menores ou importados muitas vezes não divulgam esse dado abertamente, o que dificulta a avaliação. Nesse caso, a recomendação é optar pelas marcas estabelecidas no mercado brasileiro, que têm obrigação de registrar o RDA junto à Anvisa.
A parte negativa é que cremes com RDA muito baixo podem não remover manchas tabaco ou café com a mesma eficiência, exigindo escovações mais longas ou o uso complementar de fio dental e escova interproximal para manter a higiene adequada. Além disso, o preço tende a ser mais elevado devido ao custo dos abrasivos especiais e às tecnologias de redução de sensibilidade. Se o orçamento for limitado, a saída é focar nas linhas de sensibilidade das grandes marcas, que oferecem o melhor custo-benefício dentro do parâmetro de baixa abrasividade. Para quem quer consultar fichas técnicas e verificar os índices de RDA de cada produto, o link direto é o portal da Anvisa, onde todos os fabricantes devem registrar as especificações dos seus cremes dentais antes da comercialização. A busca pode ser feita pelo nome do produto ou pela marca, e o relatório técnico contém o valor exato de abrasividade declarado.