O que realmente acontece quando você aperta uma corda mais grave no contrabaixo de cinco cordas
O contrabaixo de cinco cordas traz um D(ou C#) adicional abaixo da corda sol padrão do contrabaixo de quatro cordas. Não é mágica, é física aplicada. A escala fica maior, o braço fica mais largo e a tensão total do instrumento muda completamente. Eu aprendi isso na marra quando tentei fazer um trabalho de estúdio com um contrabaixo de cinco cordas emprestado e não consegui afinar a primeira faixa em trinta minutos porque o mecanismo da cravelha nova travava toda vez que eu chegava perto do D#.
O que esperar da corda contra baixo 5
A maioria dos contrabaixos de cinco cordas segue o padrão D#-G-D-A-E, mas alguns fabricantes usam C#-G-D-A-E como afinacao padrao. Isso muda radicalmente o positionamento das maos. A corda mais grave tem cerca de 1,15mm a 1,30mm de diametro na maioria dos sets comerciais, enquanto a sol sobe para cerca de 0,45mm. A diferença de tensao entre as extremidades exige ajustes no intonacao e, em muitos casos, no balanceamento da ponte tambem. Nao existe um padrao unico para o corpo do instrumento. Alguns modelos de cinco cordas tem o corpo mais largo na regiao do queixo para compensar o peso extra da corda grave. Outros mantem o mesmo formato e apenas alongam o braco. Se voce esta comprando um instrumento usado, olhe primeiro a regiao onde o braco encontra o corpo. Uma junta mal feita ahi causa vibrações parasitas que nenhuma pastilha resolve.
Como afinar e ajustar o instrumento antes de tocar
Afinar cinco cordas é diferente de afinar quatro. O Dtende a desafinar mais rapido nos primeiros quinze dias apos a troca de cordas porque o metal precisa se acomodar na cravelha e no cavalete. Eu uso um metodo pratico: afino as cordas mais graves primeiro, depois ajusto as agudas em sequencia, voltando as graves no final. Isso leva cerca de vinte minutos a mais do que um afunamento normal, mas evita que voce passe horas correctingo desvios causados pela tensão da corda mais grossa puxando o braco. O cavalete merece atencao. A corda de Daplica mais forca numa regiao especifica. Se o cavalete nao estiver levemente inclinado para tras (com a parte superior virada para o braco), a corda grave vai entrar em contato com a aba do cavalete e produzir um som abafado. Eu ja vi esse problema em tres trabalhos seguidos. A solucao é ajustar o angulo ou, se o cavalete for muito largo, trocar por um modelo com a aba mais baixa para a corda grave.
As cravelhas tambem precisam ser verificadas. Mecanismos tradicionais de freguesia frequentemente deslizam sob a tensao da corda grave, principalmente em temperaturas variaveis. Eu uso graxa de cravelha (aquela branca, baseada em grafite) nas points de contato e, se o mecanismo ainda assim escorregar, aperto os parafusos de fixacao com uma chave philips numero 2, girando meia volta de cada vez ate estabilizar.
Posicao das maos e técnica para a corda mais grave
A mao esquerda precisa se adaptar a um braco mais largo. O polegar quase sempre fica posicionado atraz do braco, no meio, em vez de envolva-lo como muitos professores incentivam para instrumentos de quatro cordas. Isso permite que os dedos alcancem a corda de Dsem esticar demais o pulso. Eu tive uma lesao no punho esquerdo no segundo mes de uso frequente por tentar alcançar a corda grave mantendo o polegar enroscado no braco. Depois de ajustar a posicao, a dor desapareceu em duas semanas. A mao direita enfrenta outro desafio. A corda de Dexige mais forca de dedilhado ou de arco porque a massa da corda é maior. Se voce toca de arco, use mais peso na corda grave e menos velocidade, senao o som fica estridente. Se toca dedilhado, posicione o dedo indicador mais proximo do cavalete do que o habitual para ter controle da vibraçao. Isso reduz o efeito de nota morta que aparece com frequência quando se toca a corda grave com a mao muito afastada do cavalete.
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Configuração de eq para gravação e show ao vivo
Quando se capta um contrabaixo de cinco cordas, o maior erro é tentar tratar a corda de Dcomo se fosse uma corda de violoncelo ou um contrabaixo tradicional. O Dtem um pico de ressonancia natural por volta de 55Hz a 65Hz que compete diretamente com o bumbo da bateria em. Se você aplicar boost nessa faixa, o baixo perde definição e o fica lamacento em segundos. A abordagem que eu uso cutra um pouco em torno de 80Hz, deixando o Drespirar entre 55Hz e 70Hz com um ganho de no maximo 2dB. Depois, aplico um corte suave em 250Hz a 350Hz para eliminar a caixboxidade que a corda grossa tende a gerar. O resultado é um baixo que entra na mixagem sem brigar com nenhum outro instrumento. Isso funciona tanto para gravação em estúdio quanto para shows ao vivo, onde a acústica do local frequentemente realça frequências nessa faixa.
Se você usa pedal de grave, evite overdrive pesado na corda de D#. A corda grossa distorce de forma assimetrica e gera harmônicos indesejados que sujam o som. Um overdrive leve, com o ganho abaixo de 30%, funciona melhor para dar corpo sem perder a clareza. Eu testei isso em um show de jazz com banda completa e o resultado foi limpo o suficiente para o publico distinguir cada nota do contrabaixo.
Problemas comuns que aparecem depois de alguns meses
Uma das primeiras coisas que quebram num contrabaixo de cinco cordas é o tarraxa de afinação da corda de D#. A tensão constante faz o mecanismo desgastar mais rapido do que nas outras cordas. Eu substitui o conjunto de cravelhas no meu instrumento após oito meses de uso regular e o problema de desafinação recorrente foi resolvido. Ha kits de reposição disponiveis de marcas como Musician's Institute e Gotoh, e o custo fica entre 150 e 280 reais, dependendo do modelo. Outro problema frequente é o rosnado da corda grave nas casa mais altas. Isso acontece porque a corda é mais grossa e vibra com amplitude maior, batendo contra as casa de metal quando se toca na regiao acima do 5º traste. A solucao barata é lixar levemente as bordas superiores das casas com lixa de granulação 600, passando vezes ate o contato desaparecer. Eu fiz isso no meu proprio instrumento e o problema persistiu por mais de dois anos apos o ajuste.
Quando um contrabaixo de cinco cordas nao é a escolha certa
Não adianta forçar. Se o seu repertório não exige notas abaixo do D natural, ou se você toca em estilos que não utilizam extensões graves profundas, o contrabaixo de quatro cordas continua sendo a ferramenta mais eficiente. O peso adicional, a necessidade de ajustes mais frequentes e o preço mais elevado justificam-se apenas quando a extensão grave é realmente necessaria. Eu já vi colegas tentarem usar cinco cordas em sessões de bossa nova e simplesmente não aproveitarem a corda extra, acabando por cansar mais e tocar pior do que se tivessem ficado com o instrumento de quatro cordas. Para quem está começando, o aprendizado é mais lento nos primeiros seis meses. A coordenação motora precisa se adaptar a uma geometria diferente, e o tempo de prática necessário para dominar as posições básicas é cerca de 40% maior do que num instrumento de quatro cordas. Se o seu objetivo é entrar numa orquestra sinfonica ou num grupo de groove que exige registro grave, vale o investimento. Caso contrario, foque no dominio do contrabaixo de quatro cordas primeiro.
Resumo pratico sobre corda contra baixo 5
O contrabaixo de cinco cordas oferece uma extensao grave util, mas exige ajustes técnicos que vai alem de simplesmente trocar as cordas. A afinação requer paciência, a postura das mãos precisa ser reavaliada e a configuração de equalização deve considerar a interacao da corda grave com o restante da banda. Se voce está disposto a lidar com esses detalhes, o instrumento entrega o que promete: notas graves claras e controle real sobre o registro mais profundo do contrabaixo.