O que é e quando é indicada
Curetagem é o ato de raspagem de tecidos internos do corpo com um instrumento em forma de aro, chamado cureta. A mais comum é a curetagem uterina, usada para remover tecido endometrial. Pode ser diagnóstica, quando se busca colher material para análise anatomopatológica, ou terapêutica, como no caso de aborto incompleto, sangramento anormal do útero, ou restos de abortamento. Também existe a curetagem cervical e a cirúrgica de cavidades diversas, mas o termo sozinho, sem qualificador, no Brasil quase sempre se refere à curetagem do útero. A indicação precisa ser avaliada por um médico ginecologista. Não se trata de procedimento rotineiro de rotina, e muitos casos de sangramento anormal hoje são tratados com medicação ou histeroscopia direta, sem necessidade de raspagem cega.
Como se faz curetagem passo a passo
O procedimento acontece geralmente em centro cirúrgico ou consultório com estrutura de pequeno porte. O paciente é posicionado em litotomia, com os pés nos estribos. Um espéculo é introduzido na vagina para visualização do colo uterino. O médico faz assepsia da região com solução antisséptica, geralmente clorexidina ou povidona iodada. Em seguida, pode ser necessária a dilatação do canal cervical, especialmente em pacientes nulíparas ou em pós-menopausa, onde o cérxix costuma estar mais estreito. A cureta é introduzida pelo canal cervical até a cavidade uterina. A raspagem é feita de forma sistemática, percorrendo as paredes anterior, posterior e laterais do útero. O material removido é recolhido e enviado para exame anatomopatológico. Todo o processo leva entre cinco e quinze minutos na maioria dos casos. Se for realizada sob anestesia geral ou raquidiana, o tempo total na sala inclui indução e recuperação, o que pode elevar para cerca de uma hora o tempo de permanência.
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Depois da raspagem, o médico acompanha a contração uterina para minimizar sangramento. O paciente pode ficar em observação por alguma hora antes de receber alta, dependendo do tipo de anestesia e da reação pós-procedimento. Na prática, há detalhes que só aparecem no dia a dia. Uma coisa que aprendi na prática é que a curetagem cega, feita apenas por sensibilidade tátil, tem uma taxa razoável de remanescentes de tecido, principalmente em úteros com posição de retroversão significativa. Já vi casos em que o material foi removido superficialmente e o diagnóstico veio inconclusivo na patologia, forçando uma segunda procedimento. A solução mais confiável hoje é a histeroscopia cirúrgica guiada, que permite visualizar diretamente a cavidade endometrial e dirigir a raspagem para os pontos exatos. Quando a estrutura está disponível, evita-se a repetição do procedimento na maioria dos casos.
Outro ponto que costuma causar confusão é a diferença entre curetagem e aspiração endometrial. A aspiração, feita com cateter fino acoplado a seringa, coleta fragmentos menores e é menos invasiva. Para diagnóstico de endométrio, muitas vezes a aspiração é suficiente e evita-se o desconforto maior da curetagem com cureta metálica. Se o objetivo é tratamento de sangramento ativo com restos de abortamento, já a raspagem com cureta tende a ser mais eficaz na remoção completa. Complicações existem, mesmo que raras. Perfuração uterina é a mais conhecida, com incidência estimada entre 0,1% e 1%, variando conforme a experiência do operador e as características anatômicas do útero. Infecção pélvica ocorre em proporção ainda menor, mas requer antibioticoterapia profilática em alguns protocolos. Sangramento excessivo pós-procedimento pode levar à necessidade de medicação uterotônica ou, em situação mais rara, intervenções adicionais. Dor pélvica e cólicas após a curetagem são comuns nas primeiras horas e costumam responder a antiespasmódicos e analgésicos convencionais.
Se você ou alguém próximo vai passar por esse procedimento, a conversa com o médico antes é fundamental. Perguntar qual a indicação real, se há alternativa menos invasiva, qual o tipo de anestesia previsto e qual a taxa de repetição do procedimento na clínica ou hospital onde será feito. Dados concretos ajudam muito na decisão. O recuperação pós-curetagem geralmente permite retorno às atividades normais em dois a três dias, embora sangramento vaginal leve possa persistir por até uma semana. Evitar relações sexuais, tampones e natação durante esse período reduz o risco de infecção. Marcadores de gravidez e ciclos menstruais subsequentes precisam ser observados, pois irregularidades persistentes devem ser reavaliadas pelo ginecologista.