O que é e como funciona na prática
Curetagem é um procedimento médico que consiste na remãoção mecânica do conteúdo uterino usando instrumentos cirúrgicos. A versão tradicional, chamada curetagem uterina, usa uma cureta metálica raspando a parede interna do útero (endoménio). Existe ainda a versão moderna, a curetagem com sucção, que é mais segura e hoje é a preferida na maioria das situações ginecológicas. A cirurgia acontece sob anestesia — pode ser geral, raquidiana ou, em alguns casos, local com sedação. O tempo médio de procedimento é de cinco a quinze minutos. O paciente costuma ir para casa no mesmo dia, com acompanhamento de alguém. A recuperação geralmente leva dois a três dias para atividades normais, mas o sangramento tipo menstruação pode durar até uma semana.
Como funciona a curetagem passo a passo
Aqui vai o que acontece dentro da sala de cirurgia. O ginecologista faz uma Examination com espéculo para visualizar o colo do útero. Em seguida, é feita a dilaceração cervical, abrindo o canal do colo de forma progressiva com hastes de dilatação de metal ou material descartável. Esse passo é um dos mais críticos porque se o colo for muito estreito ou houver resistência, o risco de perfuração uterina aumenta. Eu já vi casos em que o colo estava completamente indiferenciado em pacientes pós-menopáusicas e foi necessário dilatar com medicamentos pre-operatórios por 12 horas antes, sob risco de lesão real. Depois da dilatação, entra a cureta ou o cateter de sucção. A cureta tradicional raspa as paredes uterinas de forma manual, enquanto a sucção usa um tubo flexível conectado a uma bomba de vácuo para aspirar o tecido endometrial. A versão com sucção tende a ser mais rápida, com menos sangramento e menos risco de aderências (síndrome de Asherman) no futuro. Essa é uma informação que pouca gente conhece: a curetagem com sucção reduz drasticamente o risco de aderências intrauterinas comparada à curetagem cunhética tradicional.
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O material removido é sempre enviado para análise anatomopatológica. Isso não é opcional e é um dos pontos mais importantes. Em pacientes pós-menopáusicas, por exemplo, a curetagem não é apenas terapêutica — é diagnóstica. Ela detecta hiperplasias endometriais, lesões pré-malignas e cânceres do endométrapra na fase inicial.
Quando esse procedimento é indicado
As indicações principais são sangramentos uterinos anormais, restos de aborto espontâneo ou pós-parto, diagnóstico de patologias endometriais e, em alguns casos, término de gravidez nas primeiras semanas. Não é um método anticonceptivo e nunca deve ser confundido com abortamento eletivo por escolha pessoal — embora o procedimento seja tecnicamente similar, a indicação clínica é o que diferencia as situações. Uma nuance importante sobre como funciona a curetagem que muitos profissionais esquecem: o momento do ciclo menstrual importa. Para fins diagnósticos, idealmente a curetagem deve ser feita entre o décimo e o vigésimo dia do ciclo, quando o endométrapra está em fase secretória adequada. Fora dessa janela, a amostra pode ser insuficiente e o diagnóstico comprometido.
Riscos e limitações reais
Como todo procedimento intrauterino, existe risco de perfuração uterina, que ocorre em cerca de 1 a 4 por cento dos casos segundo a literatura. Infecção endometrial é outra possibilidade, embora a taxa fique abaixo de 2 por cento quando há profilaxia antibiótica adequada. Síndrome de Asherman, que é a formação de aderências internas no útero, é um risco que aumenta principalmente com curetagens repetidas — cada procedimento aumenta as chances de fibrose endometrial.