Colo Do Utero Curto - Colo do útero curto e dedo de luva | BabyCenter
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O que é colo do utero curto e o que fazer quando você encontra

Colo do utero curto é quando o comprimento cervical medido por ultrassom transvaginal fica abaixo do esperado para a gestação. O valor de corte mais usado no terceiro trimestre é algo em torno de 25 mm. Menos que isso, especialmente antes das 24 semanas, é um sinal de risco para parto prematuro. Não é uma doença. É uma medida que você acompanha. Na prática, o que mais importa não é só o número. É a evolução. Um colo que de 14 mm para 18 mm em duas semanas tem um comportamento diferente de um que estagna em 12 mm. A dinâmica conta tanto quanto a medida isolada.

Colo do utero curto: manejo clínico básico

O manejo começa com a confirmação da medida. Ultrassom transvaginal, sonda de alta frequência, bexiga vazia, sem compressão externa. Essas três condições parecem óbvias, mas erros técnicos aparecem com frequência. Já vi medidas de 22 mm que eram apenas artefato de ângulo ou compressão vaginal. Repita o exame, sempre no mesmo padrão. Para gestantes de risco médio com colo curto identificado antes de 24 semanas, a linha base costuma ser progesterona intravaginal, 200 mg ao dia, se for monocorioniana ou se não houver histórico prévio de parto prematuro. Se houver History de parto prematuro espontâneo, a coisa muda. Aí entra a cerclagem, que é um procedimento cirúrgico simples mas que exige critério claro.

A cerclagem deMcDonald é a mais comum. Um ponto em forma de bolsa ao redor do colo, colocado sob anestesia regional ou geral, dependendo da estrutura disponível. O procedimento leva uns 15 minutos. A discussão real é quando fazer. Cerclagem terapêutica, com protrusão membranosa, é mais complexa e tem taxa de sucesso menor. Cerclagem por histórico, profilática, feita na primeira trimestre, quando o colo ainda tem 4 cm, tem resultado melhor. Mas nem toda clínica oferece essa opção na prática. Já tive um caso em que a paciente tinha 15 mm com bulbo amniótico proeminente e nenhuma contractilidade evidente. Coloquei cerclagem e ainda assim houve ruptura prematura de membranas quatro dias depois. O que funcionou naquela situação foi combinar progesterona vaginal em dose dobrada, antibioticoprofilaxia imediata e repouso absoluto. O bebê nasceu na semana 31 e ficou bem. Isso não é rotina. É exceção que mostra como cada caso é um caso.

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Outro detalhe que os manuais não enfatizam muito: o colo pode encurtar e depois aumentar de novo. Já vi situações em que o colo reduzia de 30 para 16 mm e retornava para 22 mm após repouso e hidratação. Não confie em uma única medida. Aguarde 48 horas, repita o exame, e se possível em outro serviço se houver discrepância.

Pegadinhas e falhas comuns

A primeira armadilha é tratar o número sem olhar a paciente. Colo curto assintomático é diferente de colo curto com dor pélvica constante, corrimento sanguinolento ou contrações. Nesse segundo cenário, o risco de parto prematuro iminente é muito maior e o manejo precisa ser agressivo. A segunda é ignorar a dilatação. Uma paciente com 18 mm mas com 2 cm de dilatação cervical visível tem risco muito maior do que uma com 18 mm e fecho intacto. O fecho do colo, ou a ausência dele, é tão importante quanto o comprimento.

Há também a questão da cerclagem em gestações múltiplas. Os dados são controversos. Alguns estudos mostram benefício em gêmeas com colo abaixo de 25 mm. Outros não encontram diferença. O consenso atual sugere considerar cerclagem apenas quando o colo cair abaixo de 15 mm, desde que não haja sangramento ativo ou trabalho de parto estabelecido. Mesmo assim, a decisão é sempre individual. Se a gestante já chegou nas 34 semanas com colo curto, não adianta insinuar procedimento. O risco cirúrgico supera qualquer benefício potencial. Aí o acompanhamento é estritamente clínico, com monitorização fetal de rotina e preparo para parto prematuro se ocorrer.

Um dado importante que poucos consideram: o uso de pessário cervical tem ganhado espaço como alternativa menos invasiva. Não substitui a cerclagem em todos os casos, mas para pacientes que não são candidatas cirúrgicas ou que recusam o procedimento, o pessário de silicone mostra resultados razoáveis em estudo controlado. Claro, a disponibilidade varia muito por região.