Entendendo as classes de velocidade em cartões de memória
A maior parte das pessoas compra um cartão de memória olhando apenas o preço e a capacidade. Isso funciona bem para armazenamento ocioso. Aí chega o momento em que o cartão não consegue acompanhar o dispositivo e o negócio toda uma dor de cabeça. O problema é que o mercado de cartões de memória usa três sistemas de classificação de velocidade diferentes ao mesmo tempo, e eles não falam a mesma língua. A Class U (UHS Speed Class), a Class V (Video Speed Class) e a Class 10 original coexistem no mesmo produto, e a interpretação errada de qualquer um deles gera erro de gravação, arquivos corrompidos ou perda de tempo valiosa tentando diagnosticar o que deu errado.
O que você precisa saber sobre cartão de memoria velocidades
Existe uma hierarquia prática que funciona na maioria dos casos. Vou explicar do mais simples ao mais complexo, mas com os detalhes que os manuais técnicos normalmente omitem. Class 10 (a antiga) garante no mínimo 10 MB/s de velocidade sustentada. Isso serve para Full HD em câmeras mais simples e para uso geral em celulares. Se o seu equipamento grava em 4K ou mais, essa classificação não é suficiente como garantia. Só porque o cartão tem o número 10 não quer dizer que ele vai manter essa velocidade durante sessões longas de gravação contínua.
UHS Speed Class usa U1 e U3. U1 exige 10 MB/s sustentados. U3 exige 30 MB/s sustentados. O prefixo UHS indica que o cartão usa a interface UHS, que é mais rápida que a interface SD padrão. Quando vejo U3, sei que o cartão consegue segurar pelo menos 30 MB/s durante gravação sequencial contínua. Para 4K em action cameras e câmeras profissionais, esse é o mínimo aceitável. Abaixo disso, o buffer da câmera transborda e começa a perder quadros. Video Speed Class (V60, V90, V30, V10) é o sistema mais recente e o mais confiável para quem trabalha com vídeo. V30 exige 30 MB/s. V60 exige 60 MB/s. V90 exige 90 MB/s. A diferença entre U3 e V30 é sutil: ambos pedem 30 MB/s, mas a certificação V30 passa por testes mais rigorosos de consistência. Um cartão com etiqueta U3 pode falhar nos testes V30 porque não mantém a velocidade durante todo o período de teste.
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Li a especificação completa da SD Association e entendi que o V60 exige 60 MB/s sustentados em uma gravação de pelo menos 10 minutos. Isso é um detalhe importante porque muitos cartões baratos parecem atingir a velocidade declarada nos primeiros segundos e depois caem drasticamente quando o cache SLC se esgota. Isso se chama queda de performance pós-cache, e é o motivo pelo qual testar o cartão antes de comprar é essencial. No meu caso, tive um problema específico com um cartão que dizia ser V30. Usava em uma Sony A7S III para gravar em 4K 120fps. Nos primeiros 15 minutos, tudo funcionava. Aí a câmera começava a dar erro de gravação e parava. Testei com CrystalDiskMark e o cartão tinha velocidade inicial de 85 MB/s, mas caindo para 18 MB/s após 4 GB de gravação. O download foi feito pelo Amazon. A solução foi trocar por um SanDisk Extreme Pro V30, que manteve 55 MB/s sustentados por mais de 30 minutos de teste contínuo. A diferença foi de cerca de 15 minutos de gravação útil para praticamente ilimitado no meu fluxo de trabalho.
Outro detalhe que quase ninguém menciona: a velocidade de leitura não tem relação alguma com a velocidade de gravação. Um cartão pode ter leitura de 200 MB/s e gravação de apenas 30 MB/s. Isso é normal e acontece porque os controladores são otimizados para leitura, já que é a operação mais comum. Se você precisa transferir arquivos grandes rapidamente, aí sim a velocidade de leitura importa. Se o foco é gravação em câmera, ignore esse número e olhe a classe de velocidade de gravação. Interface UHS também influencia. UHS-I suporta até 104 MB/s na teoria. UHS-II suporta até 312 MB/s. A diferença física é que o UHS-II tem dois filetes de pinos extras. Se o seu leitor ou câmera só tem UHS-I, colocar um cartão UHS-II não vai aumentar a velocidade. Você está pagando mais por algo que não vai usar. Do mesmo modo, se você tem um UHS-II mas usa um leitor UHS-I, a velocidade máxima cai para 104 MB/s na prática.
XQD e CFexpress são formatos diferentes que usam o barramento PCIe. XQD é antigo mas funcional. CFexpress Tipo B é o padrão atual para câmeras profissionais. A velocidade aqui é medida em MB/s de gravação real, e um bom cartão CFexpress Tipo B entrega 300 a 400 MB/s sustentados. Isso permite gravação de 8K RAW sem nenhum problema de buffer. Mas o custo é muito mais alto, e a compatibilidade com câmeras mais antigas não existe. Uma limitação importante que precisa ser dita claramente: cartões de memória nunca são 100% confiáveis a longo prazo. Cada célula de NAND tem um número limitado de ciclos de gravação. Uma câmera que grava 4K 60fps o dia todo pode acabar com um cartão de qualidade em 6 a 12 meses de uso intensivo. Os sintomas são falhas intermitentes, arquivos que parecem normais mas corrompem ao copiar, e quedas de velocidade gradual ao longo do tempo. Não tem como evitar. A solução é fazer backup assim que possível e substituir o cartão antes que ele falhe completamente.
Para quem trabalha profissionalmente, recomendo ter pelo menos dois cartões do mesmo modelo e rotacioná-los. Assim, um sempre está sendo usado enquanto o outro está em casa fazendo backup e sendo testado periodicamente. Isso evita que você descubra que o cartão está morrendo no meio de um trabalho importante.