Cabelo E Maquiagem Anos 60 - The best of the 60's.: Maquiagem e cabelo anos 60
The best of the 60's.: Maquiagem e cabelo anos 60

O guia realista de cabelo e maquiagem anos 60 que ninguém te conta

A gente vê muita gente tentando recriar visuais dos anos 60 hoje em dia e acabam parecendo fantasias de Halloween. O problema é que a estética daquela década não funciona com produtos modernos do mesmo jeito. A maquiagem dos anos 60 era feita com formulações à base de cera e pigmentos mais densos, e o cabelo tinha uma arquitetura que dependia de tecnologias que praticamente não existem mais.

O que realmente define cabelo e maquiagem anos 60

Você já deve ter visto aquela foto clássica da Jacky Kennedy com o cabelo volumoso para trás e os lábios vermelhos. Ou a Audrey Hepburn com o rabo de cavalo baixo e delineador gatinho. Mas o que as pessoas geralmente não entendem é que os anos 60 tiveram três fases distintas: o final dos anos 50 transbordando pra dentro dos 60, o período mod meados dos anos 60 com o hair minimalista e os olhos marcados, e o final dos anos 60 com o surgimento do movimento hippie trazendo cabelos longos naturais e maquiagem quase inexistente. Se você quer fazer uma pesquisa séria sobre cabelo e maquiagem anos 60, precisa entender isso. Não existe um único visual. Pegar o estilo de 1963 e aplicar em 1968 seria um erro técnico.

Quando eu comecei a trabalhar com cenografia de época há alguns anos, precisei montar looks completos para um filme ambientado em 1964. O primeiro problema que enfrentei foi tentar replicar o volume da penteadas com produtos modernos. O spray capilar atual simplesmente não oferece a mesma rigidez que os produtos à base de resina sintética usavam na época. O cabelo caía em menos de vinte minutos. A solução foi uma mistura caseira: uma parte de gelatina incolor dissolvida em água morna, misturada com um condicionador leve, aplicada nas mechas que seriam levantadas, e então usando uma tchaca (those wire curlers) em vez de sprays modernos. Funcionou porque a gelatina cria uma película que imita a rigidez das resinas da época. Sobre maquiagem, o erro mais comum é usar batom moderno e esperar o mesmo acabamento. Os batons dos anos 60 tinham textura de bala de goma, com alto teor de cera de abelha e corantes que ficavam literalmente grudados no lábio. Se você aplicar um batom líquido atual com acabamento matte, vai ficar com aspecto artificial. O caminho certo é usar um batom cremoso vermelho como o Revlon Super Lustrous em Core Red, esfumar levemente com um cotonete, e terminar com um toque de pó translúcido por cima para fixar. Isso reduz a transferência e dá aquele acabamento opaco característico.

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Pequenos detalhes que fazem diferença

A sobrancelha dos anos 60 era fina e arqueada, mas não daquele formato exagerado dos anos 20. Era uma linha desenhada com lápis marrom ou cinza, seguindo a forma natural da arcada supraorbital mas afilada na ponta. O delineador precisava ser preto intenso, preferencialmente à base de água com pigmento de carvão, aplicado em traço fino na pálpebra móvel e levemente elevado no canto externo. Um detalhe que quase todo mundo esquece: a sombrancelha inferior. Naquele período, muitas mulheres desenhavam uma linha sutil abaixo da arcada natural, criando a ilusão de uma sobrancelha mais alta e alongada. Isso era especialmente comum em produções cinematográficas de Hollywood. Hoje em dia isso parece estranho porque o padrão atual é o oposto, mas era completamente normal na época.

No cabelo, o efeito bouffant não se consegue só com secador e escova redonda. O método tradicional envolvia dividir o cabelo em seções, enrolar cada uma em papillotes de papel ou tecido, aplicar laquê, e então remover os rolos com cuidado. O volume vinha da tensão mecânica dos rolos, não do calor. Se você tentar apenas/secar o cabelo para cima com o secador, o resultado será permanente por apenas algumas horas. Também é importante notar que a paleta de sombras dos anos 60 era limitada. As sombras disponíveis comercialmente naquela época eram basicamente três tons: preto, marrom e um rosa pálido que muitas vezes vinha com brilhante misturado. A combinação mais usada era sombra marrom aplicada na pálpebra inteira, preta na linha dos cílios superiores e inferiores, e um toque de rosa brilhante no canto interno do olho para iluminar. O azul elétrico que as pessoas associam aos anos 60 só apareceu no final da década, com o movimento psicodélico.

Por que as tentativas modernas falham

A maior parte dos tutoriais que você encontra na internet ignora três fatores técnicos. Primeiro, a química dos produtos mudou drasticamente. Os sprays capilares dos anos 60 continham formaldeído e outros compostos que hoje são proibidos. O que as pessoas usam hoje como substituto simplesmente não tem a mesma performance. Segundo, a arquitetura capilar daquela época dependia de técnicas de pentear que exigiam ferramentas específicas: escovas de cerda grossa, grampos metálicos grandes, e tchacas de arame. Tentar replicar com ferramentais contemporâneo é como tentar fazer um assento de couro com material sintético — pode parecer semelhante, mas a durabilidade e o comportamento são diferentes.

Terceiro, a pele era preparada de forma diferente. O primer dos anos 60 era basicamente vaselina ou creme hidratante aplicado em camada generosa. Isso criava uma base extremamente lisa e brilhante que hoje chamamos de glass skin, mas na época era apenas o padrão natural. Quando as pessoas aplicam bases modernas matte sobre a pele sem essa preparação, o resultado fica rachado e artificial, especialmente nas áreas de expressão facial. Se você está começando agora e quer experimentar, recomendo pesquisar imagens originais da época em vez de recriações modernas. Revistas como Vogue e Harper's Bazaar dos anos 1962 a 1968 têm fotografias que mostram os detalhes reais: como a maquiagem era aplicada, como o cabelo se comportava sob luz natural, e quais produtos eram efetivamente usados. A diferença entre olhar uma foto de 1965 e um tutorial de 2024 é abismal em termos de fidelidade histórica.