O que fazer quando o bebê reclama de ouvido
Seu filho está com a orelha dolorida. O primeiro impulso é correr para o pronto-socorro, mas na maioria das vezes isso não é necessário. Dor de ouvido em bebês e crianças pequenas é muito comum, principalmente entre seis meses e três anos, porque as tubas de Eustáquio ainda são curtas e horizontais. A inflamação se instala rápido. O mais frequente é a otite média aguda — infecção no ouvido médio, atrás do tímpano. O líquido se acumula, a pressão sobe e a criança chora principalmente de noite, deitava e a diferença de pressão já doía. Também existe a otite externa, aquela da piscina ou de tentar limpar o ouvido com hastes, que é inflamação do canal mesmo. São coisas diferentes e tratamentos diferentes.
Sinais de bebê com dor de ouvido
Os sinais mais claros são: puxar ou esfregar a orelha, choro inconsolável que piora deitado, febre acima de 38 graus, irritabilidade extrema, dificuldade para dormir e, às vezes, secreção saindo do canal auditivo. Em bebês que ainda não falam, a dor de ouvido muitas vezes se disfarça de cólica ou de recusa alimentar, porque a sucção altera a pressão na tuba de Eustáquio e dói mais. Meu irmão mais novo fazia faculdade quando minha sobrinha de onze meses passou uma noite inteira acordada, e a mãe achava que era só gás. Foi o pediatra que percebeu o tímpano avermelhado na consulta do dia seguinte. Nem sempre tem febre. Às vezes o único sinal é a criança ficando mais silenciada do que o normal ou recusando a mamadeira. Esse caso silencioso é perigoso justamente porque passa despercebido até virar infecção estabelecida.
Quando levar ao médico imediatamente
Vá ao pronto-atendimento se a criança tiver menos de seis meses, se houver secreção amarela ou esverdeada saindo do ouvido, se a febre passar de 39 graus e não baixar com antitérmicos, se houver inchaço vermelhidão atrás da orelha, ou se a criança apresentar rigidez de nuca, vômitos repetidos ou alteração no estado de consciência. Isso podem ser sinais de complicação como mastoideíte, que é rara mas séria. Se a dor foi detectada cedo e a criança tem mais de dois anos, com febre baixa e nenhum sinal de alarma, dá para observar por vinte e quatro horas. A otite média aguda muitas vezes melhora sozinha nesse período. O importante é controlar a dor enquanto isso acontece.
Como aliviar a dor em casa
A medicação mais indicada é o ibuprofeno ou o paracetamol, na dose correta para o peso da criança. Ibuprofeno costuma ser mais eficaz para dor inflamatória de ouvido porque ataca a inflamação diretamente, não só o sinal de dor. Dose de ibuprofeno é dez a dez esse mg por quilograma a cada seis a oito horas. Dose de paracetamol é quinze a quinze esse mg por quilograma a cada quatro a seis horas. Nunca dê aspirina para criança por causa do risco de síndrome de Reye. Isso não é conselho, é fato documentado. Compressa morna no ouvido externo ajuda bastante. Não quente, morno. Apenas uma toalha umedecida com água morna pressionada suavemente contra a orelha por alguns minutos. O calor aumenta o fluxo sanguíneo local e alivia a sensação de pressão. Eu já fiz isso com meu sobrinho e ele dormiu trinta minutos depois, algo que não acontecia há duas noites.
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Mantenha a criança semi sentada. Deitar completamente plano aumenta a pressão no ouvido médio por gravidade. Use mais travesseiros ou mantenha a criança no colo inclinada. Em bebês menores, isso significa simplesmente evitar que fiquem de barriga para cima no berço por longos períodos durante a fase aguda.
O que NÃO fazer
Não introduza nada no canal auditivo. Hastes flexíveis, velas, óleos essenciais, água morna com alho — nada disso tem evidência sólida e muitos causam mais dano do que benefício. Hastes podem empurrar cerume para dentro e perfurar o tímpano. Velas de desintoxicação auditiva são pura charlatanismo e já houve casos de queimadura de canal auditivo. Ouveletras como gotas caseiras com álcool ou vinagre só devem ser usadas se o médico tiver confirmado que o tímpano está íntegro. Se houver perfuração, esses líquidos entram no ouvido médio e pioram a infecção. Tampar o ouvido com algodão também não resolve. O ouvido precisa respirar e o algodão pode empurrar secretões para dentro do canal. Deixe o ouvido descoberto, a não ser que o médico tenha indicado o contrário.
Quando o médico prescreve antibiótico
Nem toda otite precisa de antibiótico. As diretrizes atuais, incluindo as da American Academy of Pediatrics, recomendam observação inicial para crianças acima de dois anos com otite leve a moderada em pelo menos uma orelha. Antibiótico só é necessário se a criança tiver otite bilateral, febre alta, sintomas graves ou se não melhorar após quarenta e oito a setenta e duas horas de observação. O antibiótico de primeira linha costuma ser amoxicilina na dose de oitenta a noventa mg por kg por dia, dividido em duas tomadas, por sete a dez dias dependendo da idade e gravidade. Um ponto que muitos pais não sabem: mesmo que a criança melhore nos primeiros dois dias de antibiótico, termine o tratamento completo. Parar antes pode selecionar bactérias resistentes e a infecção voltar mais forte. Isso aconteceu com uma colega minha, mãe de dois filhos. O mais velho melhorou rápido e ela suspendeu a amoxicilina no terceiro dia. A otite voltou em cinco dias, mais intensa, e aí precisou de um antibiótico mais forte.
Prevenção
Evitar exposição à fumaça de cigarro reduz significativamente o risco. Fum passivo irrita a mucosa das tubas e aumenta a frequência de otites. Vacinação em dia também ajuda — a vacina pneumocócica e a influenza reduzem incidentes de otite média porque diminuem as infecções respiratórias que frequentemente complicam nos ouvidos. Banho de piscina não causa otite média diretamente, mas a otite externa sim, então seque bem as orelhas depois de nadar e evite que água fique acumulada no canal. Se seu filho tem otite de repetição, mais de três episódios em seis meses ou quatro em doze meses, o pediatra pode encaminhar para otorrinolaringologia. Às vezes a indicação é colocação de drenagem transtimpânica, pequenos tubos que ventilam o ouvido médio e previnem acúmulo de líquido. É uma Procedure simples, ambulatorial, e a maioria das crianças tem melhora significativa nos episódios subsequentes.
O mais importante é não entrar em pânico. Dor de ouvido é incômodo, mas raramente é grave quando acompanhada corretamente. Observe os sinais, controle a dor com medicação adequada, saiba quando correr para o hospital e confie no acompanhamento médico. Na maioria dos casos, em três a cinco dias o quadro melhora sem sequelas.