Cuidados práticos com a árvore flor de cerejeira
A maioria das pessoas compra um pé de sakura e espera que ele floresça todo ano sem pensar em nada. O problema é que a maior taxa de mortalidade desses exemplares acontece nos dois primeiros anos, e não por falta de beleza. A planta é mais exigente do que parece no catálogo. Se você mora em região sudeste ou centro-oeste do Brasil, precisa entender algo que os vendedores raramente mencionam: a cerejeira japonesa (Prunus serrulata) precisa de um período de frio real para quebrar a dormência. Sem essas horas de frio acumuladas, ela talvez até produza folhas, mas as flores ficam esparsas, desiguais, e em alguns casos simplesmente não abrem. Isso é normal, não é doença.
árvore flor de cerejeira: o que realmente precisa saber antes de plantar
O solo ideal é levemente ácido, com pH entre 5,5 e 6,5, e precisa ter drenagem excelente. Eu já vi gente plantar cerejeira em terra argilosa pura, esperando o melhor. A planta viveu oito meses e depois entrou em decaecimento gradual. As folhas iam ficando amareladas e caindo sem motivo aparente. A causa era podridão radicular por excesso de umidade retida. Meu workaround foi simples: removi a planta, avaliei as raízes (80% estavam escuras e moles), troquei toda a terra por uma mistura de terra vegetal, areia grossa e substrato de orquídea na proporção de 40% para 30% para 30%, e fiz uma cova elevada, tipo meia-lua, para drenar a água da chuva. Depois disso, a planta estabilizou. Não voltou ao que era, mas cresceu normalmente.
A poda é outro ponto que todo mundo erra. Não se poda a cerejeira como se poda um limoeiro. Ela sangra se cortada fora da época certa. A janela segura é logo após a floração, nos primeiros quinze dias após as pétalas caírem. Qualquer corte fora dessa janela aumenta significativamente o risco de infecção por fungos e bactérias. Se precisar podar no inverno por segurança estrutural, faça cortes pequenos, selando com pasta agrícola os cortes acima de dois centímetros de diâmetro. Rega: o erro mais comum é regar pouco e torcer para dar certo. Cerejeiras jovens precisam de rega consistente nos primeiros dezoito meses. O solo não pode secar completamente entre uma rega e outra, mas também não pode ficar encharcado. A regra prática é afundar o dedo até a segunda articulação na terra. Se estiver seco na ponta, regue. Se estiver úmido, espere. Para plantas adultas estabelecidas, a situação melhora bastante, mas elas ainda sofrem em seca prolongada.
O adubo deve ser pobre em nitrogênio e equilibrado em fósforo e potássio. Nitrogênio demais gera crescimento vegetativo acelerado com muitas folhas e poucas flores. Eu uso adubo orgânico bem curtido no início da primavera e faço uma adubação mineral leve com NPK 10-10-10 logo após a poda pós-floração. Nada de adubo com ureia alta perto da floração.
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Pragas e doenças comuns que eu já encontrei na prática
A monopiliose é a doença fúngica mais frequente em regiões úmidas. Os sintomas são manchas escuras nas folhas que começam pequenas e se expandem até consumir toda a folha. O tratamento preventivo é aplicar calda bordalesa no outono, antes da queda das folhas, e repetir quinze dias depois. Se a infecção já estiver instalada, fungicidas à base de cobre funcionam, mas não revertem folhas totalmente afetadas. O pulgão ataca os brotos novos na primavera com muita facilidade. Em infestações leves, uma duchinha forte de águaresolve. Em infestações fortes, inseticida sistêmico como imidacloprido funciona, mas exige cuidado com abelhas. Aplique no final da tarde, quando as flores já fecharam, para não intoxicar os polinizadores.
A traça-das-miríades também aparece de vez em quando. São lagartas pequenas que roem as folhas à noite. O controle biológico com Bacillus thuringiensis é eficaz e não agride insetos úteis. Eu já apliquei diretamente com seringa nos locais de ovo, quando a infestação era pontual, e funcionou sem precisar de produto químico.
Locais onde a árvore flor de cerejeira não vai se dar bem
Regiões com umidade relativa do ar acima de 80% durante todo o ano e temperaturas mínimas que nunca caem abaixo de 15 graus Celsius são problemas reais. A planta entra em estresse crônico. Folhas caem antecipadamente, a floração é fraca e a árvore fica suscetível a infecções secundárias. Nessas condições, considere espécies nativas brasileiras de florescimento primaveril, como ipê-roxo ou pitangueira, que se adaptam muito melhor. Também não funciona em vasos pequenos por muito tempo. Um exemplar adulto precisa de pelo menos sessenta litros de substrato. Vasos menores limitam o crescimento radicular e a planta para de florescer depois de alguns anos, mesmo com todos os cuidados aparentemente certos.
O transplante de mudas grandes é arriscado. Raízes cortadas em mudas com mais de dois metros de altura frequentemente não se recuperam rápido o suficiente. A planta entra em choque e pode levar seis meses a um ano para reagir, se reagir. O ideal é comprar mudas jovens, com até um metro e cinquenta, e deixar que desenvolvam o sistema radicular no local definitivo desde o início. A poda de formação deve começar no primeiro ano. Sem condução inicial, a árvore cresce com vários troncos competitivos que se machucam mutuamente com o vento. Um único tronco central, com esqueleto aberto tipo vaso ou centro-aberto, facilita a circulação de ar e a insolação dos ramos internos, o que directly impacta a qualidade da floração no ano seguinte.