Armario Para Cozinha Em Mdf - Armario completo cozinha em mdf modulada | Casas Bahia
Armario completo cozinha em mdf modulada | Casas Bahia

Como montar armários de cozinha em MDF sem gastar uma fortuna

MDF é o material mais usado na marcenaria residencial hoje em dia, mas a maioria das pessoas faz escolhas erradas na hora de comprar e depois se arrepende. A diferença entre um armário que dura dez anos e um que começa a soltar parafusos em dois é basicamente a gramatura da placa e o tipo de fixação que você usa. Já entreguei projeto onde o cliente comprou MDF de 8mm pra fazer porta de armário superior, reclamou que ela empenava depois de três meses, e tive que refazer tudo do zero. O segredo é simples: respeitar as espessuras adequadas pra cada função.

armario para cozinha em mdf: o que realmente funciona na prática

Antes de falar de acabamento ou ferragens, preciso esclarecer uma coisa que todo mundo ignora. MDF comum e MDF résistente à umidade são coisas completamente diferentes. O résistente tem aditivos na massa que repelem água, mas ele não é à prova d'água. Se você colocar um armário em MDF comum ao lado da pia, num dia de cheia, ele vai inchar. Use sempre MDF résistente na cozinha, mesmo que o orçamento aperte. A diferença de preço é 15 a 20 por cento, e vale cada centavo. A espessura certa depende do uso. Pra painéis laterais e divisórias, use 15 ou 18mm. Pra portas de armário inferior, 18mm também. Porta de armário superior pode aguentar 15mm se tiver até 80cm de altura, mas acima disso vá de 18mm pra evitar empenamento. Prateleiras internas precisam de 18mm no mínimo, senão você vai ter aquela trilha central que faz o prato escorregar pros dois lados. gavetas são outro ponto crítico. O fundo da gaveta pode ser 6mm, mas a frente e as laterais precisam ser 15 ou 18mm. Já vi gente usar 8mm pros lados da gaveta e depois reclamar que ela entorta quando enche de panelas.

O acabamento também define muito a durabilidade. Laca é mais barata e rápida, mas risca fácil e desbota com sol direto. PVC ou melamina são mais resistentes. O problema do PVC é que a cola precisa ser aplicada de forma uniforme, senão forma aquelas bolhas que todo mundo odeia. Meu conselho prático: se for fazer você mesmo, invista em MDF com faces de melamina co-extrudada. Você economiza com acabamento e evita aquela etapa chata de pintar ou colar película. O resultado fica pronto direto da serraria. Vou falar agora de uma dor de cabeça que quase ninguém menciona nos tutoriais. O acabamento das bordas cortadas. Quando você corta o MDF, a borda fica porosa e absorve umidade como esponja. A solução padrão é fita de PVC ou ABS colada na borda exposta, mas tem um detalhe que os marceneiros experientes sabem: a cola de contacto precisa ser aplicada em camadas finas e uniformes. Eu costumava aplicar uma camada, esperar secar, passar uma segunda, e só então colar. Isso garante aderência sem formar bolhas. Leva mais dez minutos, mas evita retrabalho. Se você deixar a borda descoberta, principalmente em armários de cozinha, a água vai entrar pelo corte e a placa vai inchando por dentro antes que você perceba.

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Ferragens são onde muitos projetos falham silenciosamente. Dobradiças com amortecimento são um luxo que compensa. A diferença é que uma dobradiça comum vai fazer barulho de batida todo dia durante anos, e com o tempo o pino de fixação solta. Uma dobradiça com amortecedor mantém o armário silencioso e, mais importante, distribui melhor a força sobre a placa de MDF. Para puxadores, parafusos de fixação direta no MDF costumam soltar com o tempo porque as fibras não seguram bem. O certo é usar buchas plásticas ou, melhor ainda, porcas de prensar embutidas. Eu uso porcas de prensar Heco em todos os armários que monto. Custa centavos a mais por unidade, mas a fixação dura décadas. Já arrisquei economizar nisso uma vez e precisei refazer três portas depois de um ano. Não faça essa conta. Medidas e tolerâncias são outro ponto onde iniciantes erram feio. O espaço entre a porta e o baqui precisa ser de 2 a 3 milímetros por lado. Menos que isso, a porta aperta e empena com a variação de umidade. Mais que isso, parece amador e entra sujeira. Use espaçadores de 2mm enquanto monta o baqui e testa o encaixe antes de fixar tudo permanentemente. Também é importante considerar a folga no chão. Armários de cozinha precisam de uma elevação mínima de 10cm do piso, senão a água de limpeza ou eventuais vazamentos estragam a parte de baixo. Use pés reguláveis ou construa uma base de alvenaria com essa altura.

Se você vai fazer o projeto você mesmo, existe um erro comum de dimensionamento. As medidas que você anota na planta raramente batem com a realidade da parede. Paredes nunca são retos, cantos nunca são perfeitamente angulares. Sempre meça nos três pontos de cada parede: em cima, no meio e embaixo. Anote o menor valor e use ele como base. O MDF pode ser lixado e ajustado no local com facilidade, mas paredes irregulares exigem que você preveja rebaixos ou cortes sob medida. Eu sempre deixo uma margem de 5mm a mais em cada peça e vou ajustando na instalação. Isso economiza uma visita ao serralheiro ou ao marceneiro depois. Há ainda a questão da ventilação. Armários de cozinha precisam de circulação de ar, especialmente os que ficam atrás do fogão ou perto do forno. Se você fechar tudo com painéis maciços de MDF, o calor acumulado pode danificar tanto a placa quanto os alimentos armazenados. Use prateleiras perfuradas ou deixe espaços estratégicos. No meu último projeto, instalei uma faixa de grades plásticas na parte de trás dos armários adjacentes ao fogão. Custo irrisório e fez diferença enorme na durabilidade dos móveis.

Para quem quer baixar uma planilha ou arquivo de projeto pronto, recomendo buscar no site do Senai ou em fóruns de marcenaria como o MCBrasil. Existem templates de bancada de trabalho com medidas padrão para armários base e aéreos que já consideram as folgas necessárias. Nada substitui o cálculo manual quando as paredes têm desníveis, mas ter como ponto de partida acelera bastante. Por fim, um aviso honesto sobre o que o MDF não resolve. Se você mora em região extremamente úmida, como litorais com alta salinidade, o MDF mesmo o resistente tem limitações. A longo prazo, a umidade relativa elevada do ar penetra pelas mínimas imperfeições do acabamento. Nesse caso, o MDF estruturado ou até mesmo o compensado naval pode ser mais adequado, apesar do custo maior. Não adianta insistir com MDF em ambiente hostil esperando resultado perfeito. Às vezes o barato sai mais caro no final.